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Sulgás projeta abastecer mais de 20 mil clientes residenciais até 2014

agosto 2, 2013 by ABEGAS Redacao in Notícias, z3 - Home with 0 Comments

Aos 20 anos, a Companhia de Gás do Rio Grande do Sul (Sulgás) está consolidada como fornecedora de indústrias no Estado. São 113 clientes desse setor – um dos mais recentes é o grupo CMPC, que está ampliando a produção da Celulose Riograndense em Guaíba.

No entanto, o gargalo no transporte do combustível, que vem da Bolívia, impõe limites a uma ampla expansão entre os grandes consumidores em solo gaúcho. Nesse cenário, ganha espaço o plano de popularizar o gás natural em residências, cujo consumo é ínfimo, se comparado ao de uma fábrica.

A Sulgás pode crescer rapidamente nesse nicho sem maiores preocupações com entraves no abastecimento. Basta comparar os volumes utilizados em cada setor. As 113 indústrias utilizam 1,2 milhão de m3 de gás por dia, enquanto os mais de 11 mil lares que usam o combustível gastam 5 mil m3/dia.

Assim, a Sulgás considera possível um aumento exponencial no número de clientes residenciais. “Esse mercado pode crescer muito com pouco comprometimento de gás”, observa o diretor-presidente da Sulgás, Roberto Tejadas. No início de 2011, a carteira da estatal tinha mais de 2 mil apartamentos de condomínios da Capital. A ideia da atual administração é chegar ao final de 2014 distribuindo gás natural para mais de 20 mil residências. E, até 2020, atingir 100 mil clientes.

 “A empresa tem transitado, nesses últimos anos, do atacado, com grandes consumidores – quase todo o PIB industrial do Rio Grande do Sul já utiliza gás natural – para um outro mercado forte, o varejo”, afirma Tejadas. “A ideia para os próximos 10 anos é popularizar o gás natural como alternativa energética.”

A empresa espera terminar este ano com 16 mil residências atendidas, quase todas em Porto Alegre, onde já são 22 os bairros abastecidos. Os mais recentes – Bela Vista, Boa Vista e Três Figueiras – estão em obras desde o ano passado e terão tubulação em todas as suas ruas, exceto nas quadras de praças ou parques. “No ano que vem, também devemos chegar ao Menino Deus e a novos bairros planejados, como o Jardim América”, antecipa o gerente executivo de Mercado Urbano da Sulgás, Guilherme Cabral.

O Bela Vista ainda estará em obras em 2014, mas a parte da rede instalada – pouco mais de seis quilômetros dos 70 que serão construídos – já permitiu que o bairro figure em quarto lugar entre os que concentram mais clientes. Ajudou para isso o fato de a região ter recebido dezenas de novos empreendimentos imobiliários nos últimos anos – alguns incorporadores optaram pelo gás natural antes mesmo de construir o prédio.

Consumo por setor

Clientes industriais têm um consumo muito superior ao de comerciais e residenciais, o que permite a expansão nesses setores, mesmo com limites pelos gargalos logísticos no transporte do gás, que vem da Bolívia.

Segmento Nº de Clientes Consumo m³ de gás/dia
Industrial 113 1.243.989
Comercial 352 29.397
Residencial 11.691 5.484

Fonte: Sulgás, com base em junho de 2013

 

Expansão no residencial

Ano Nº de Clientes
2005 112
2006 191
2007 364
2008 587
2009 900
Ano Nº de Clientes
2010 2.448
2011 5.971
2012 11.000
2013 16.824*
2014 20.000 a 25.000*
2015 100 mil*

*Projeção Sulgás                                                      AURACEBIO PEREIRA/ARTE/JC

Eixo Moinhos-Iguatemi concentra clientes

Porto Alegre já tem 22 bairros com residências abastecidas com gás natural. Os clientes se concentram no eixo Moinhos de Vento-Iguatemi, onde estão três dos quatro bairros com mais clientes: o Moinhos, onde começou a distribuição de gás em 2005, Mont’Serrat e Bela Vista. São 11,6 mil apartamentos com o combustível. Os clientes comerciais – bares, restaurantes, hotéis e hospitais – estão espalhados em 31 bairros, e, apesar de serem menos (352), em conjunto consomem mais gás natural do que os clientes residenciais. Atualmente, a Sulgás instala a tubulação em todas as ruas dos bairros Bela Vista (70 quilômetros), Boa Vista (29 quilômetros) e Três Figueiras (17 quilômetros). As obras devem terminar até o final do ano, exceção do Bela Vista, onde seguem até 2014.

Projeto-piloto começou pelo Moinhos de Vento em 2005

Estão à frente do Bela Vista entre os bairros que concentram mais residências abastecidas por gás natural em Porto Alegre o Mont’Serrat (8% dos clientes), o Humaitá (20%) e o Moinhos de Vento (21%), onde a Sulgás começou com um projeto-piloto em 2005. Na época, a estratégia da empresa era atrair clientes-âncora comerciais, com um consumo maior, e depois instalar a rede. Primeiro foi assinado o contrato com Moinhos Shopping, Grêmio Náutico União e Leopoldina Juvenil, para depois instalar a tubulação nas ruas que ficavam no entorno dessas instituições.

Hoje, Porto Alegre tem clientes comerciais em 31 bairros, alguns com consumo equivalente ao de uma indústria, caso do Hospital de Clínicas. São 352 clientes comerciais na Capital, entre bares, restaurantes, centros comerciais e de saúde, que consomem 29.397 m3/dia de gás. E mais 100 devem assinar contrato até o próximo ano, projeta o gerente executivo de Mercado Urbano da Sulgás, Guilherme Cabral.

O diretor-presidente da empresa, Roberto Tejadas, salienta que a expansão para o varejo – clientes residenciais e comerciais – faz parte do planejamento para os próximos 10 anos. “Houve uma mudança de comportamento. Nossa estratégia agora é criar a tubulação de gás e depois ir atrás dos clientes. E como desdobramento disso, vamos massificando a rede. É um movimento natural, Rio e São Paulo começaram com clientes industriais e depois massificaram. Aqui também vai ser assim no próximo período. Não temos nem 10 anos de gás residencial, ao passo que as companhias de Rio e São Paulo já atuam há muitas décadas no setor” compara Tejadas.

Cabral observa que a comercialização do gás para residências é um desafio completamente diferente da prospecção de um cliente industrial. “O trabalho é porta a porta, com folder, muda totalmente a comunicação. Negociamos com condomínios e diretamente com as construtoras.” Ele diz que clientes comerciais estão descobrindo que o gás natural também pode ser utilizado como uma alternativa à energia elétrica. Com a instalação de geradores, o gás é uma saída para suprir a eventual falta de luz e também para ser acionado nos horários em que o custo da energia é mais elevado – entre 18h e 21h.

“Para um bar, por exemplo, uma hora sem energia pode liquidar o faturamento de uma noite”, diz Cabral. “Um shopping pode deixar de ganhar muito com uma queda de luz. E às vezes demora até que a energia seja reestabelecida. São situações em que o uso do gás natural pode evitar prejuízos”, exemplifica. As interrupções de abastecimento no ano passado somaram minutos, as de energia elétrica duraram horas.

Tejadas vê muitas perspectivas de expansão para o gás natural. “É uma boa alternativa energética para a calefação, aquecimento de pisos, de água da piscina, são muitas possibilidades”, enumera.

Praticidade foi fator decisivo para condomínio na Quintino

A Sulgás sustenta que o uso de gás natural em residências representa uma economia de 10% em relação ao GLP, gás de cozinha em botijão. Mas o preço não é o principal fator na escolha do combustível. A empresa salienta o cuidado com o meio ambiente e o fato de não haver movimentação de combustível a cada vez que acaba o estoque, nem a necessidade de manter um reservatório, alvo de preocupações com segurança.

“Às vezes, a pracinha do condomínio fica junto do local onde estão armazenados os botijões”, exemplifica o diretor-presidente da Sulgás, Roberto Tejadas. Ele ainda destaca o alto preço do solo urbano. “É uma economia não ter que utilizar metros quadrados para um reservatório de botijões de gás. Isso significa muito até para um incorporador, que pode ter aquele espaço para construir e obter vantagens competitivas nos imóveis que irá comercializar”, afirma Tejadas.

Como iniciou a distribuição residencial em áreas mais valorizadas de Porto Alegre, em boa parte dos casos condomínios optaram pela Sulgás por motivos como a segurança e a praticidade, já que o abastecimento é feito diretamente da rede, sem necessidade de troca de botijões, como ocorre com o GLP.

Foi o caso de um edifício residencial na rua Quintino Bocaiúva, no bairro Moinhos de Vento, que adotou o gás natural no final do ano passado. O síndico do prédio, o analista de sistemas Antonio Rosat Filho, 50 anos, relata que a iniciativa foi desencadeada pelo fim da vida útil da caldeira utilizada para aquecimento de água quente, que era abastecida a lenha.

Ao iniciar a busca por um novo equipamento, ele comparou os diferentes combustíveis que poderiam ser utilizados: madeira, GLP, gás natural, energia solar, óleo diesel. A opção pelo gás natural se deu porque, além de ser competitivo economicamente, não precisava de trabalho humano para operar.

“Quando utilizávamos madeira, um funcionário precisava abastecê-la duas vezes ao dia, no verão, e de cinco a seis vezes ao dia no inverno. Temos zelador, mas é preciso considerar as férias, dias de descanso… Assim, resolvemos por uma opção automatizada”, explica Rosat Filho. “Tanto o recebimento do combustível como a cobrança são automatizados. Com isso, liberamos o zelador para outras funções.”

Síndico de condomínio pensou em segurança como uma vantagem expressiva do combustível

O advogado Márcio Louzada Carpena, 38 anos, é síndico de um edifício recém-concluído na Rua Engenheiro Teixeira Soares, no bairro Bela Vista. O prédio novo foi entregue pela construtora no início deste ano, já adaptado para receber o gás natural em todos os apartamentos.

Carpena avalia que essa é uma das vantagens oferecidas no condomínio de alto padrão. “Primeiro temos maior segurança. O gás já é entregue diretamente, não há a necessidade do transporte com caminhões, carga e descarga no prédio e funcionários de fora para carregar botijões”, ressalta. “Além disso, não pagamos nada adiantado, só o que consumimos.”

O advogado também levanta a possiblidade de os condomínios sofrerem com passivos trabalhistas de seus empregados, ainda que eles apenas acompanhem a substituição do combustível armazenado. “O porteiro ou zelador que está ali, na hora do processo de troca dos botijões, pode depois entrar com uma reclamatória trabalhista por periculosidade”, admite, citando que o condomínio em que vivia antes foi alvo desse tipo de ação por parte de empregados.

Fonte: Jornal do Comércio – RS

 

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