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Estatística - Volume
Falta de Competitividade prejudica consumo de Gás Natural em 2009
O ano de 2009 foi marcado pela retração do mercado de gás natural devido ao alto preço, cenário que mostrou a instabilidade acarretada pela crise econômica e a falta de competitividade frente aos outros energéticos.
 

O ano de 2009 foi marcado pela redução acentuada na comercialização de gás natural ao longo do ano. Depois de recordes registrados em 2008, o consumo sofreu forte redução em 2009. De acordo com os dados estatísticos da ABEGÁS - Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado, o volume de gás natural comercializado no acumulado do ano de 2009 atingiu a média diária de consumo de 36,7 milhões de metros cúbicos de gás, retração de 26% em relação à média do ano de 2008.

Os preços do insumo influenciaram nesta estatística. A escalada dos preços de custo do Gás Natural, somado a falta de política do Governo Federal, tornou-se um problema em nível nacional, acarretando perda de competitividade frente aos outros energéticos. Além disso, a desaceleração da produção industrial e a redução da utilização de usinas térmicas em decorrência do satisfatório nível dos reservatórios das hidrelétricas também contribuíram para essa redução. Com o mercado desestimulado, o consumo caiu, refletindo a falta de planejamento.
 
Em 2009, como nos anos anteriores, o principal consumidor do gás natural continuou sendo o setor industrial, com 23,5 milhões m³/dia, o que representa uma queda de 15,30% com relação ao período anterior. Outro segmento a apresentar retração foi o automotivo, cuja média diária ficou em 5,7 milhões de metros cúbicos, 12,98% menor do que em 2008.
 
As termelétricas também consumiram menos: 65,10%, caindo de 13,3 milhões m²/dia em 2008 para 4,6 milhões m³/dia de gás natural em 2009. O segmento comercial viu seu consumo diminuir 2,87%. Em contrapartida, os setores residencial e de co-geração apresentaram crescimento de 2,3% e 7,59%.
 
Em conseqüência à expressiva queda no consumo, as importações de gás boliviano e a oferta interna de gás nacional também caíram, e como conseqüência houve um substancial aumento na queima do gás natural. De acordo com estudos da ABEGÁS, há hoje uma disponibilidade não aproveitada da ordem de 27 milhões de metros cúbicos por dia, número que atesta que o setor passou da condição de competitividade para de atratividade momentânea com a realização dos leilões que a Petrobras realizou ao longo de 2009.
 
Apesar deste panorama, as companhias continuaram investindo em infra-estrutura para disponibilizar o gás natural em todas as regiões do país. O número de extensão de redes ultrapassou os 18 mil quilômetros e o número de clientes, em todos os segmentos de consumo, já soma mais de 1,7 milhão em todo o Brasil. O crescimento acumulado do número de consumidores de 2008 para 2009 foi de 21,35%, enquanto que o de rede foi 7,87%.
 
A região Sudeste consumiu cerca de 25 milhões de metros cúbicos de gás por dia, seguida pelas regiões Nordeste (7 milhões) e Sul (3,5 milhões). Já as regiões Centro-Oeste e Norte consumiram juntas pouco mais de 200 mil metros cúbicos.
 
A indústria do Gás Natural no Brasil inaugurou uma nova página de sua história em 2009. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou em março a Lei do Gás, ainda sem a necessária regulamentação. Foram cinco anos de debates até que a lei chegasse ao texto final, aprovado em dezembro de 2008 e sancionada em março de 2009. A nova legislação regulará o transporte, a exploração, a estocagem, o processamento e a comercialização do gás natural no País.
 
É importante ter uma lei regulamentada e uma política de preços. Por isso, o foco da ABEGÁS para 2010 é redobrar o esforço para ampliar os debates no Ministério de Minas e Energia para que a política de preço de custo dos energéticos seja tratada como política de governo.

 
FONTE: Assessoria de Imprensa da ABEGÁS
AUTOR: Juliana Martins
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