As concessionárias de energia reduziram os investimentos nas suas redes nos últimos três anos, o que ajuda a explicar a sucessão de "apaguinhos" que atinge o país. Entre as empresas que puxam o ranking de pequenos blecautes, o corte de gastos chega a 30%.
A distribuidora Ampla, no Rio, responsável por constantes interrupções no fornecimento, promoveu corte de 18% já entre 2007 e 2008. No período, o total investido caiu de R$ 427 milhões para R$ 351 milhões. Na Celpe (PE), os R$ 372 milhões investidos em 2008 recuaram para R$ 255 milhões no ano passado -corte de 31,5%. Na CPFL (que opera em SP e no RS), o plano de investimentos em distribuição nos próximos três anos mostra queda de 42%: de R$ 1,3 bilhão em 2009 para R$ 761 milhões em 2012. Levantamento da associação das distribuidoras de energia (Abradee) com 63 empresas (100% do mercado) reforça o diagnóstico e aponta que em 2008 houve diminuição dos investimentos globais de R$ 9,3 bilhões para R$ 8,8 bilhões -queda de 6,6%. Os números de 2009 não estão fechados. A queda ocorreu devido a estratégias equivocadas, segundo especialistas. Primeiro porque, com a crise global, em 2008 as empresas reduziram orçamentos após a queda do consumo. E, após a retomada, os números oficiais (Operador Nacional do Sistema Elétrico) indicavam que a demanda subiria 6%. Mas, em alguns Estados, como o Rio, o consumo residencial aumentou 16%. Antes, as empresas já haviam decidido reduzir investimentos por conta da queda nas tarifas provocada pelo segundo ciclo de revisão pela Aneel (agência reguladora), iniciado em 2007. |