De acordo com dados consolidados pela Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (ABEGÁS), o volume de gás natural comercializado, diariamente, no mês de fevereiro foi superior a 38,3 milhões de metros cúbicos, mantendo a média do mês anterior (38,5 milhões de metros cúbicos). Esse percentual é significativo, visto que fevereiro, tal como janeiro, é um mês sazonal, e nesse ano, foram 18 dias úteis no mês.
Com relação ao mesmo período no ano anterior (fevereiro/2006), o consumo de gás natural apresentou uma retração de 10% quando incluído o consumo das termoelétricas, e aumento de 5% se excluída a geração elétrica.
A principal causa foi um menor acionamento das térmicas. Segundo Maurício Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a probabilidade maior para este ano é que o despacho das térmicas fique abaixo dos 30% da capacidade instalada. Isso devido à confortável situação hidrológica que o país vive atualmente.
Na comparação do primeiro bimestre de 2006 com mesmo período de 2007, a Geração de Energia (Termelétricas) foi o segmento que apresentou maior retração com 56,71%.
Os números do volume comercializado do GNV – 6,6 milhões m³/dia – refletem aumento contínuo e firme do setor. O segmento apresentou crescimento de 12,34% em relação a fevereiro de 2006 e de 0,92% em relação a janeiro de 2007.
Correspondendo a 61% do consumo nacional, o segmento industrial comercializou no mês 24,4 milhões m³/dia, representando um aumento de 2,47% em relação a fevereiro de 2006 e de 3,58% se comparado com janeiro de 2007. Já o segmento co-geração consumiu 1,8 milhões m³/dia em fevereiro, 1,41% a mais ante ao consumido em janeiro de 2007. Em contrapartida, o setor comercial apresentou retração de 1,44%, em decorrência do menor número de dias úteis no mês.
O mês de fevereiro foi marcado pelo acordo entre Brasil e a Bolívia envolvendo o preço do gás que criou uma fórmula de cálculo. O acordo foi assinado no dia 14 de fevereiro, por ocasião da visita do presidente Evo Morales. A pretensão inicial do governo boliviano era equiparar os preços do gás natural vendido ao Brasil aos fechados com a Argentina em acordo assinado em outubro do ano passado, no valor de US$ 5 por milhão de BTUs, o que foi recusado pela Petrobras, por considerar quebra de contrato.
Pelo acordo, o preço do gás está atrelado a um poder calorífico de 8.900 Kcal por metro cúbico, limite mínimo estabelecido no mercado internacional. Qualquer valor acima deste limite terá a diferença paga pela Petrobras. O contrato assinado entre a Petrobras e a YPFB prevê entrega de gás a 9.200 Kcal por metro cúbico - cuja entrega continua assegurada - mas já houve momentos em que a estatal recebeu gás com poder calorífico de cerca de 9.400 mil Kcal por metro cúbico.
Ainda no segundo mês do ano, o Ministério de Minas e Energia criou, por meio de portaria publicada no Diário Oficial da União, um grupo gestor que vai acompanhar as ações do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) na área energética. A área de energia é a que tem a maior previsão de investimento de recursos do PAC - cerca de R$ 275 bilhões do total de R$ 503,9 bilhões do programa. |