O consumo nacional de gás natural atingiu 44,5 milhões de metros cúbicos diários em outubro, segundo dados consolidados pela Abegás – Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado. É o novo recorde da comercialização de gás natural no país, superando os 44,2 milhões de metros cúbicos comercializados no mês de setembro.
A Região Sudeste continua liderando a expansão do consumo. Nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais, que representam 66% da média nacional, o consumo foi de 29,6 milhões m³/dia. Seguidos pelas Regiões Sul, Nordeste e Centro-Oeste, que consumiram, respectivamente, 7,3 milhões m³/dia, 6,8 milhões m³/dia e 0,8 milhões m³/dia de gás natural.
Comparando-se com o mês anterior (setembro), o número aponta um ligeiro aumento de 0,79%. Os setores de geração elétrica e automotivo apresentaram crescimento de 5,56% e 1%, respectivamente. Em contrapartida, os setores residencial, comercial e industrial apresentaram retração de 1,53 %, 4,71 % e 0,57%, respectivamente.
Em relação ao consumo registrado em outubro do ano passado, este dado representa aumento de 9,74%. O setor que mais se destacou foi o automotivo, que cresceu 22,11% nos últimos 12 meses.
Além de novo recorde na comercialização, o mês de outubro foi marcado pelo acordo entre Petrobras e YPFB. A Petrobras foi uma das dez empresas que assinaram novos contratos com o Governo boliviano para adequar suas atividades à regulamentação do decreto de nacionalização. A nacionalização dos hidrocarbonetos na Bolívia decretado em maio tinha gerado incertezas no Brasil, já que parte do gás natural consumido pelos brasileiros vem desse país (19,2 milhões m³/dia em outubro).
Foram negociadas condições de prospecção e um contrato de 30 anos, válido a partir da homologação e da aprovação do acordo pelo Parlamento. O contrato permitirá à Petrobras continuar explorando as reservas de gás natural em Tarija, de onde vem o gás importado pelo Brasil. Pelos termos acordados, 50% da receita gerada pelos campos irá para o Estado boliviano sob forma de impostos e outras contribuições. Dos 50% restantes sairão os recursos para o ressarcimento dos custos que a Petrobras Bolívia terá para operar as áreas de produção e pagar os investimentos já feitos. O restante será rateado entre Petrobras e YPFB. A divisão, porém, não será igualitária, visto que vai variar segundo o nível de produção dos campos, o preço do gás e os investimentos necessários para a manutenção da extração de gás. Na divisão, caberá à Petrobras Bolívia (subsidiária integral da estatal brasileira) a produção do gás. O transporte e a comercialização do produto ficarão a cargo da YPFB.
Após o fechamento do acordo, a questão se concentra agora sobre os preços do gás natural. Ainda sem resultado sobre o pedido de elevação fora do contrato dos preços feitos pela Bolívia, as duas companhias marcaram uma nova rodada de negociações para o início de dezembro. |