A redução acentuada de mais de 10 milhões de metros cúbicos diários de um mês para o outro foi puxada, principalmente, pela crise econômica, o que reduziu as atividades industriais, provocou a retração do mercado e conseqüentemente, a diminuição da demanda das indústrias por gás natural.
Os preços do insumo influenciaram também de forma negativa o consumo. O preço do gás mostra-se distorcido em relação ao dos demais combustíveis industriais. Seu preço chega a ser 40% superior ao do óleo combustível vendido no mercado nacional. Assim, com o mercado desestimulado, o consumo industrial caiu, refletindo a constante falta de planejamento no fornecimento. As indústrias consumiram apenas 18,7 milhões de metros cúbicos diários no primeiro mês do ano, visto que a média do ano anterior havia sido de 25 milhões de metros cúbicos diários.
Além disso, o período de férias e um menor acionamento das térmicas, devido às constantes chuvas que mantiveram elevado o nível dos reservatórios, também contribuíram com a retração sentida em todos os setores. A maior queda ocorreu no segmento de geração elétrica com 58,49% a menos do consumido no mês anterior. O setor térmico, que corresponde a cerca de 18% do consumo total, comercializou 5,9 milhões de metros cúbicos diários em janeiro.
Os segmentos residencial e de co-geração comercializaram 642 mil m³/dia e 1,7 milhões m³/dia, retração de 11,37% e 4,16% respectivamente. Já o uso de gás natural em veículos caiu 12,13%, bem como o comercial em 7,37%.
A região Sudeste continua liderando o consumo com 24,4 milhões de metros cúbicos consumidos por dia em janeiro, seguida pelas regiões Nordeste com 5,3 milhões m³/dia e Sul com 3,8 milhões m³/dia. As regiões Centro-Oeste e Norte consumiram, respectivamente, 59,5 mil m³/dia e 2,5 mil m³/dia.
“Os dados do primeiro mês do ano demonstram que a falta de política energética fez com que o insumo perdesse competitividade em todos os segmentos”, destaca Armando Laudorio, presidente da ABEGÁS. O resultado foi que, desde o ano de 2004, o consumo de gás natural não era menor do que 35 milhões de metros cúbicos diários.
Para reverter este quadro, o foco da ABEGÁS é redobrar o esforço para ampliar os debates no Ministério de Minas e Energia para que a política de preço de custo dos energéticos seja tratada como política de governo. “O objetivo é alcançar uma política de preços que permita a livre concorrência e que o gás natural volte a ser tão competitivo quanto antes”, completa Laudorio.
A ABEGÁS acredita que é preciso alinhar, de forma estruturada, os preços do Gás Natural às necessidades de manter aquecido o mercado interno brasileiro, em conformidade aos apelos feitos publicamente pelo presidente Luis Inácio Lula da Silva. |