As sucessivas altas nos preços dos combustíveis têm obrigado o consumidor a buscar alternativas na hora de abastecer o veículo. Na tentativa de diminuir os gastos, uma opção que há tempos vinha sendo esquecida voltou a ganhar força nas últimas semanas, é o GNV (Gás Natural Veicular).
Depois da greve dos caminhoneiros, oficinas mecânicas do Grande ABC autorizadas a converter o sistema de combustíveis dos veículos para GNV registraram aumento de até 70% na instalação.
O serviço que chegou a ter nos últimos anos ociosidade de demanda, atualmente, chega a ter fila de espera de até 30 dias em empresas na região.
“Antes chegava a fazer média de quatro a oito instalações por mês. Com a alta do combustível e a greve agora faço cinco por dia. A demanda está tão grande que só tenho vaga para fazer daqui um mês”, relata Cristiano Martins dos Santos, proprietário da SOS Convertedora, em Santo André.
O boom na procura pelo serviço, segundo mecânicos, tem justificativa clara. “O GNV hoje gera uma economia de até 60% em relação aos demais combustíveis. Ele se paga financeiramente falando. O valor gasto na instalação de todo sistema é compensando com a economia de abastecimento que o gás gera com o decorrer dos anos”, explica Marcos Luiz Vendrustolo, 35, proprietário da Fortgás GNV, em São Bernardo.
Pesquisa realizada pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) sobre o preço de combustível deixa claro esse cenário. Na região, o valor médio do GNV é de R$ 3,389/m³. Já o preço médio para a gasolina é de R$ 4,360/litro e do etanol, R$ 2,847/litro.
O custo estimado para a conversão de veículos para o GNV no Grande ABC varia entre R$ 3.500 a R$ 4.200. A manutenção do filtro do sistema, por sua vez, deve ser feita a cada 30 mil quilômetros rodados e custa em média R$ 400.
Apesar de todos os seus benefícios sustentáveis e de economia, o uso do GNV está completamente estagnado no Grande ABC. Segundo o Detran-SP (Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo) apenas 1,42% da frota de veículos da região é movida a gás (veja gráfico abaixo).
Para o gerente de estratégia e competitividade da Abegás (Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado), Marcelo Mendonça, o cenário, no entanto, deve ser revertido até 2019. “A projeção do setor é de alta nos próximos dois anos até porque o GNV tem compensado no bolso não só de taxistas e motoristas de aplicativos, como também, do motorista convencional”, afirma.
Segundo ele, o aumento do uso de GNV pode ser ainda maior caso o governo incentive desconto no IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores), em todos os Estados, como já ocorre no Rio, além de linha de crédito para conversão de veículos para GNV, desoneração tributária dos equipamentos que compõem o kit gás e incentivo às montadoras para a venda de veículos a GNV de fábrica, a exemplo do que acontece em países da Europa.
Fonte: Diário do Grande ABC
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