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Crise na Bolívia prejudica fornecimento de gás à indústria

Apesar de o impasse político começar a arrefecer na Bolívia, o setor produtivo ainda sofre as consequências da crise recente. Desde o rompimento do gasoduto Carrasco-Cochabamba, que abastece também Oruro e La Paz, em 12 de novembro, o fornecimento de gás natural para o oeste do país foi interrompido, levando a produção industrial a cair 50%.

O rompimento afetou o mercado local e acendeu um alerta sobre a capacidade de atender o mercado externo. A exportação para Brasil e Argentina ainda não foi prejudicada, mas houve desistência de negócios diretos com o governo boliviano. Dados oficiais sobre reservas provadas menores que o estimado elevaram incertezas sobre a capacidade de exportação.

“Cerca de 140 empresas de La Paz, Cochabamba e Oruro foram afetadas”, diz Yussef Akly, diretor da Câmara Boliviana de Hidrocarbonetos e Energia. As causas do rompimento estão sendo investigadas, mas suspeita-se de um ataque que deixou o gasoduto de 450 quilômetros sem pressão. A explosão danificou 200 metros do duto.

Segundo Akly, com o rompimento, 2 milhões de metros cúbicos diários deixaram de ser entregues às três regiões. A indústria, diz, consome 2,5 milhões de metros cúbicos diários – cerca de 3% da produção do país. “Com o incidente, a produção industrial caiu 50%”, diz Victor Hugo Carazas, analista de energia. Segundo ele, os setores mais prejudicados são os de alimentos e cimento.

“Muitas empresas estão vendendo estoques, mas não produzem nada desde o dia 13”, diz Fernando Hinojosa, gerente da CNI da Bolívia. “A Cervecería Boliviana, por exemplo, está com as suas cinco unidades de produção paradas.” Rudy Rivera, dono da Indatrop, que envasa palmito e produz geleia, e da Inbolteco, de tijolos, deu férias coletivas aos funcionários.

Não há estimativas de impacto no PIB, pois ainda há pontos de bloqueio, que prejudicam a distribuição. “A situação não está 100% normalizada”, diz Hinojosa.

Para Mauricio Medinaceli Monroy, analista boliviano, embora as exportações ainda não tenham sido afetadas, a redução da estimativa de reservas provadas coloca em dúvida a capacidade futura de exportar.

Na semana passada, a Petrobras encerrou negociações para a venda de duas fábricas de fertilizantes para a russa Acron. A Acron compraria diretamente da Bolívia o gás para a fabricação dos fertilizantes. Segundo fontes, as incertezas políticas contribuíram para o fracasso do negócio.

Na quarta-feira, o ministro de Hidrocarbonetos da Bolívia, Víctor Zamora, reduziu a estimativa de reservas. Em agosto de 2018, o governo havia dito que as reservas provadas eram de 10,7 trilhões de pés cúbicos (TCF). Zamora disse, porém, que as reservas provadas desenvolvidas – com poços perfurados – são de 5,78 TCF e as provadas não desenvolvidas – sem perfuração – são de 3,27 TCF.

O ministro nega que isso possa afetar a exportação. Mas, para uma fonte do setor, a Bolívia pode ter de começar a negociar envio de volumes menores de gás para o Brasil e a Argentina no longo prazo. “As reservas provadas mostram que a produção pode cair se não forem descobertos novos campos”.

 

Fonte: Valor Econômico

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