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Cosan vê melhora do ambiente de negócios

Um dos maiores grupos econômicos do país, a Cosan viu seus resultados se recuperarem no terceiro trimestre na esteira da “nítida” melhora do ambiente de negócios, sobretudo na distribuição de combustíveis, e da robustez de seu portfólio. Em relação ao segundo trimestre, que concentrou os efeitos negativos da pandemia nas operações, em especial na distribuição de combustíveis, o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado mais que triplicou, chegando a R$ 1,7 bilhão – também acima do esperado pelo mercado e do R$ 1,6 bilhão registrado no terceiro trimestre de 2019.

O ambiente de negócios voltou a uma patamar mais próximo da normalidade. A tendência é de melhora gradual, mas ainda há incertezas ”, disse ao Valor o gerente-executivo de Relações com Investidores da holding Cosan S.A., Phillipe Casale. No terceiro trimestre, a aceleração da demanda de combustíveis, lubrificantes e gás natural sustentou a recuperação dos resultados do grupo, que foram beneficiados ainda pelo impacto quase inexistente das medidas para contenção da covid-19 no negócio de açúcar e etanol.

No acumulado de janeiro a setembro, porém, o Ebitda ajustado de cerca de R$ 4 bilhões ficou 6,2% abaixo do visto no mesmo período de 2019. “Boa parte” da variação negativa, conforme o executivo, reflete os resultados dos negócios mais afetados pela pandemia, que “já apontam para níveis mais normais no segundo semestre”. “Essa tendência deve se manter no quarto trimestre”, comentou, em teleconferência com analistas.

Segundo Casale, a demanda de combustíveis confirmou a recuperação que se desenhava desde junho, com a flexibilização das medidas de isolamento social, e o retorno da operação já voltou aos níveis pré-crise. Sem oscilações bruscas de preço, o Ebitda da Raízen Combustíveis totalizou R$ 906,8 milhões, frente aos R$ 213,3 milhões negativos do segundo trimestre, suportado pela melhora dos negócios no Brasil e forte avanço dos resultados na Argentina.

No país, as vendas de diesel subiram 24,7% ante o segundo trimestre e 5,5% frente ao mesmo período de 2019, puxada pelo agronegócio e pela retomada da produção industrial. No ciclo Otto (gasolina e etanol), as vendas seguiram afetadas pela pandemia e caíram 9,2% na comparação anual – mas foram 27,7% superiores ao visto no auge da crise. O segmento de aviação confirmou que deve ser o de mais lenta recuperação, com vendas apenas 8,3% maiores do que o segundo trimestre.

Ainda assim, a margem Ebitda por metro cúbico da operação brasileira subiu de R$ 91 a um ano para R$ 95,30. “O quarto trimestre deve ter demanda parecida com o terceiro”, acrescentou Casale. Na Argentina, a Raízen registrou forte recuperação da demanda, com melhora do resultado operacional apoiada ainda na queda do custo unitário e no aumento gradual dos preços de combustíveis.

Com a piora das condições de mercado, a Cosan cancelou no fim de setembro a oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) da Compass, empresa constituída neste ano para investir em gás e energia. “A melhor decisão foi adiar, mas nada muda em relação ao planejamento estratégico”, comentou, acrescentando que a Cosan segue monitorando o mercado mas não tem data para eventual retomada da operação. Para tocar seus projetos, a Compass usará recursos próprios – a Comgás já está sob seu guarda-chuva – ou pode optar por emissão de dívida.

A Compass já anunciou ao mercado que fez uma oferta pela fatia de 51% da Petrobras na Gaspetro. Questionado sobre potencial interesse na fatia remanescente da Gaspetro, detida pela Mitsui e que poderá ser colocada à venda conforme o Valor informou, o executivo disse que não há intenção ou decisão de comprar também essa participação. “Estamos focados na fatia da Petrobras”, disse.

Na Comgás, distribuidora de gás natural da Cosan, o desempenho já voltou a níveis próximos aos vistos antes da crise, com a retomada da demanda no setor industrial. No segmento comercial, esse movimento é mais lento. Na Moove, de lubrificantes, o Ebitda trimestral de R$ 177 milhões foi recorde e cresceu mais de 100% na comparação anual.

 

Fonte: Valor Econômico

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