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Projetos se multiplicam, e biogás avança no Brasil

A desindustrialização que marcou a economia brasileira no ano passado passou ao largo do “pré-sal caipira”, como o biogás é chamado por seus entusiastas. No ano passado, 69 novas plantas de produção do gás renovável, de diferentes tamanhos, foram concluídas no país, segundo a Abiogás.

Nos últimos dois anos, os investimentos em novas plantas foram de mais de R$ 700 milhões. Só no ano passado, esses projetos injetaram no sistema 50 megatwatts (MW), o equivalente a 100 milhões de metros cúbicos de biometano por ano.

A maioria das novas unidades foram erguidas por empresas e cooperativas agropecuárias interessadas em reaproveitar resíduos, sobretudo da criação de animais, para diversificar a produção e aumentar a renda. Porém, o setor com maior espaço de expansão da capacidade é o sucroalcooleiro, avalia a associação, que prevê potencial de produção de até 57,6 milhões de metros cúbicos por dia dada a capacidade atual do setor.

O segmento de proteína animal tem potencial de produzir 35,3 milhões de metros cúbicos diários, e segmentos agrícolas têm potencial para 18,1 milhões de metros cúbicos diários. O saneamento, por fim, poderia produzir 6,1 milhões de metros cúbicos ao dia.

Resultado da decomposição de materiais orgânicos hoje descartados no ambiente, o biogás tem a versatilidade de ser utilizado tanto para a geração de energia como na produção de biometano para indústrias, residências e automóveis. Por ser uma alternativa renovável ao gás natural fóssil, o biogás começa a atrair o interesse, até pelo potencial financeiro atrelado à baixa emissão de carbono.

A produção nacional de biogás atual é de 1,5 bilhão de metros cúbicos ao ano, o que representa menos de 4% da produção de origem fóssil. O volume também está longe do potencial de biogás no Brasil, de 40 bilhões de metros cúbicos anuais, segundo a Abiogás.

Praticamente todos os investimentos estão voltados para a geração de eletricidade, mas o maior potencial está em biometano, avalia Alessandro Gardemann, presidente da associação.

Duas plantas de grande porte inaugurados por usinas sucroalcooleiras em 2020 devem acabar destravando novos projetos nesse setor, diz Gardemann. Um, da Raízen Energia, que já está entregando energia a partir da queima do biogás após autorização da CPFL e da Aneel.

A outra iniciativa foi da Cocal, que em dezembro passado recebeu autorização da Arsesp para vender biometano à distribuidora GasBrasiliano e deve começar a operar em abril.

“Esses projetos começaram a dar destaque para a tecnologia. O biogás deixou de ser irmão caçula dos renováveis para ser talvez o que tem maior potencial de crescimento”, disse Gardemann.

Vários aportes menores ou mesmo em mini e microgeração distribuída (com potência de até 5 MW) também vêm ocorrendo e representam pouco menos da metade da capacidade adicional de 2020. Um caso é o da EnerDinBio, construída em 2019 em Usina Ouro Verde do Oeste (PR), híbrida com energia solar. O sócio Thiago Gonzales diz que vê mais espaço para o biogás na região diante de novos projetos de abate de suínos, que deverão aumentar o plantel de animais e, portanto, de dejetos.

Para este ano, Gardemann vê incentivos tanto para o biogás na matriz elétrica como para biometano. Em eletricidade, as oportunidades são os leilões de energia nova A-3 e A-4, de junho, que preveem projetos de biogás na categoria de termelétrica a biomassa. A Abiogás ainda espera convencer o MME a incluir a fonte nos leilões de energia existente, tambem para junho.

A associação também está otimista com a adoção do “preço horário” de energia no Mercado de Curto Prazo (que não opera com contratos), que favorece a geração distribuída – caso do biogás.

Para o biometano, Gardemann vê como estímulo a demanda da Golar Power Distribuidora, que em outubro anunciou uma chamada pública para a compra de 5 milhões de metros cúbicos por dia de biometano. Isso representa 16% do que a associação projeta para o consumo nacional de biogás até 2030.

Apesar dos potenciais, a fonte ainda encontra gargalos. Uma delas, afirma Gonzales, é a falta de fornecedores industriais que garantam o desempenho dos equipamentos no pós-venda. Em sua avaliação, o investimento em biogás ainda é caro, se depender de fornecedores estrangeiros.

No entanto, o valor do aporte pode mudar muito a depender da matéria-prima. A Abiogás calcula que uma planta associada a uma usina sucroalcooleira custe entre R$ 50 milhões e R$ 200 milhões. Para plantas associadas à criação de animais, em torno de R$ 10 milhões.

 

Fonte: Valor Econômico

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