Com o barril do petróleo a mais de US$ 80 (cerca de R$ 447), a Petrobras deixou para as distribuidoras a incumbência de complementar com importação o volume adicional à produção nacional necessário para suprir a demanda interna de combustíveis. Sem a ajuda estatal, as empresas terão de, por conta própria, comprar produtos em outros países, afirmaram executivos do segmento de distribuição em condição de anonimato.
O custo excedente com importação será repassado para o consumidor que, no fim das contas, deve pagar mais caro pelos combustíveis nas bombas, ainda que a Petrobras não reajuste seus preços nas refinarias. A alta foi estimada em 17% pela Brasilcom.
A defasagem entre a disponibilidade interna e a demanda diz respeito aos contratos com entrega prevista para o mês que vem. No mundo todo, o mercado de petróleo e derivados está aquecido. Num só momento, o consumo subiu por conta do avanço da vacinação e recuperação das economias. Ao mesmo tempo, a oferta caiu. A consequência foi a disparada das cotações das commodities de energia, com reflexos no Brasil, que adota preços alinhados aos internacionais.
A Petrobras, em comunicado, afirmou que as distribuidoras encomendaram mais combustíveis para o mês que vem do que de costume e que não teve tempo de se preparar para esse boom. Segundo a Petrobras, comparado com novembro de 2019, a demanda por diesel aumentou 20% e a de gasolina, 10%. Esses excedentes superam sua capacidade interna de produção. No mercado, no entanto, executivos de distribuição negam essa versão. Os executivos das distribuidoras dizem que não haveria risco de desabastecimento. A ANP referenda a informação.
Fonte: O Estado de S.Paulo
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