Mesmo um planejamento raso de obra pública exige que ela, primeiro, seja necessária, que seus custos sejam compatíveis e módicos, que a infraestrutura necessária para que funcione já esteja disponível ou possa ser ampliada a baixo custo, que os insumos que serão utilizados sejam colocados à disposição ao menor preço e com maior rapidez. O conluio que os partidos do Centrão estão tecendo no Congresso para a construção de uma rede de gasodutos, além de ter beneficiários certos, inverte toda lógica do planejamento e tem custos altíssimos, que serão repassados em grande parte para o consumidor.
A capitulação do Executivo aos partidos fisiológicos, e seu aval a estripulias que começaram com as bilionárias emendas secretas, podem sair ainda mais caro com a pressão para a construção de gasodutos com o uso de R$ 100 bilhões dos recursos do pré-sal, que serão desviados de gastos imensamente mais importantes e básicos, como saúde e educação.
Se construídos os gasodutos e as usinas, será preciso transmitir a energia, talvez com uma Brastrans financiando a construção de linhas de transmissão. É um monumento ao desperdício de recursos, que deveria ser extirpado da lei e não será porque o presidente da República precisa se reeleger e ele não tem a menor noção do descalabro que está patrocinando.
Fonte: Valor Econômico
Related Posts
Gasodutos: por que o consumidor não deve pagar duas vezes?
Em sua coluna no portal da BrasilEnergia, om consultor Tulio Chipoletti afirma que, A disputa judicial entre a ATGás e a ANP trouxe para o centro do debate uma questão que pode parecer excessivamente...
Disputa sobre gasodutos pode reduzir tarifas de gás em 25%
A Abrace Energia estima em R$ 1,3 bilhão por ano a diferença econômica entre a aplicação do Método do Capital Recuperado (RCM) e a metodologia defendida pelas transportadoras de gás em disputa judicial...

