Mesmo um planejamento raso de obra pública exige que ela, primeiro, seja necessária, que seus custos sejam compatíveis e módicos, que a infraestrutura necessária para que funcione já esteja disponível ou possa ser ampliada a baixo custo, que os insumos que serão utilizados sejam colocados à disposição ao menor preço e com maior rapidez. O conluio que os partidos do Centrão estão tecendo no Congresso para a construção de uma rede de gasodutos, além de ter beneficiários certos, inverte toda lógica do planejamento e tem custos altíssimos, que serão repassados em grande parte para o consumidor.
A capitulação do Executivo aos partidos fisiológicos, e seu aval a estripulias que começaram com as bilionárias emendas secretas, podem sair ainda mais caro com a pressão para a construção de gasodutos com o uso de R$ 100 bilhões dos recursos do pré-sal, que serão desviados de gastos imensamente mais importantes e básicos, como saúde e educação.
Se construídos os gasodutos e as usinas, será preciso transmitir a energia, talvez com uma Brastrans financiando a construção de linhas de transmissão. É um monumento ao desperdício de recursos, que deveria ser extirpado da lei e não será porque o presidente da República precisa se reeleger e ele não tem a menor noção do descalabro que está patrocinando.
Fonte: Valor Econômico
Related Posts
ANP analisa pedido da ATGás para reaver corte de R$ 11 bi da base de cálculo das tarifas de gasodutos
A diretoria da ANP analisa nesta quinta (29) o pedido de reconsideração da Associação de Empresas de Transporte de Gás Natural por Gasoduto (ATGás) contra a decisão que cortou em R$ 11 bilhões a base de...
ATGás recorre à intervenção do MME para rever cálculo das tarifas de gasodutos da TAG e NTS
A ATGás pediu a intervenção do MME, caso a ANP não reveja a decisão que levou à redução da base de remuneração das transportadoras de gás. Segundo o eixos, a associação usou um recurso hierárquico...

