A Petrobras abriu uma licitação para contratar serviços de conclusão das obras das unidades de processamento de gás natural (UPGN) do Polo Gaslub (antigo Comperj), localizado em Itaboraí (RJ).
O leilão será pela modalidade de menor preço total e o prazo das obras deve ser de 15 meses (450 dias). Para habilitação no certame, a empresa vencedora deve ter patrimônio líquido de, no mínimo, sete vezes e meio o valor estabelecido no contrato.
As propostas devem ser entregues entre os dias 16 de agosto e 9 de setembro, de acordo com o site Petronect, de informações sobre as licitações da petroleira. A perspectiva é que o custo para a implantação da UPGN fique entre R$ 2,5 bilhões e R$ 3 bilhões.
A contratação visa à substituição da sociedade de propósito específico (SPE) sino-brasileira Kerui-Método, que com problemas financeiros diante da pandemia de covid-19, rescindiu unilateralmente o contrato, paralisou as obras e demitiu funcionários, realizando apenas atividades de preservação dos equipamentos e das instalações.
“Já estamos no mercado para contratar a conclusão da engenharia da UPGN e em seguida vamos tomar a decisão de como vamos concluir esse empreendimento”, disse o diretor de desenvolvimento da produção da companhia, João Henrique Rittershaussen, em entrevista coletiva sobre os resultados da Petrobras no segundo trimestre.
Embora o prazo das obras esteja definido, Rittershaussen afirmou que a empresa ainda não tem “uma data firme” da conclusão das obras, uma vez que as equipes estão refazendo todo o planejamento da UPGN. “Estamos replanejando [a construção] e temos medidas para tomar a fim de dar partida o mais rápido possível”.
No dia 11 de julho, a empresa comunicou que estava reavaliando a data de início de operação da unidade e do gasoduto, prevista para o segundo semestre deste ano. O executivo destacou que o gasoduto que vai escoar o gás do pré-sal da Bacia de Santos está concluído.
Em paralelo, a empresa tenta rescindir o contrato com a SPE. De acordo com Rittershaussen, a Petrobras negociou com a Kerui-Método os impactos da covid.
Diante da rescisão contratual, a companhia agora busca negociar o encerramento amigável do contrato.
A unidade é importante para a companhia porque integra o escopo do chamado Projeto Integrado Rota 3, que inclui o gasoduto homônimo. A unidade tem capacidade de processar 21 milhões de metros cúbicos por dia (m³/dia) de gás natural.
Junto com o Rota 1 e o Rota 2, gasodutos já em operação, o Rota 3 vai permitir com que a capacidade de escoamento da Petrobras chegue a 44 milhões de m³ /dia.
Há quase duas semanas, a empresa abriu consulta para avaliar interesse de empresas na aquisição de terrenos no polo.
De acordo com a Petrobras, de uma área total terraplanada de 3 quilômetros quadrados (km²), a companhia possui 2,1 km² disponíveis para potencial negociação.
A Petrobras estuda ainda a integração dos ativos do polo GasLub com a refinaria Duque de Caxias (Reduc), para a produção de óleos lubrificantes básicos e combustíveis, com investimento previsto de US$ 1,5 bilhão, e a construção de uma usina termelétrica.
A licitação é mais uma tentativa de concluir a implantação do antigo polo petroquímico, que também contaria com uma refinaria. O plano chegou a incluir a construção de dois trens de refino com capacidade para processar 165 mil barris por dia, cada um.
O início das obras do complexo foi em 2006 e os trabalhos foram interrompidos em 2015, depois de denúncias de corrupção. Segundo a Petrobras, o empreendimento gerou prejuízo de R$ 28,3 bilhões. Entre 2017 e 2018, a Petrobras abandonou o plano de construir a refinaria e optou pela UPGN.
Fonte: Valor Online
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