Em artigo publicado no Correio do Povo, o economista da Agergs, Sérgio González, afirma que
O mercado de gás natural foi substancialmente alterado pela Lei 14.134/2021, que abriu o mercado para a concorrência. Na esteira dessa lei, foi editada a Lei Estadual 15.648/2021, que disciplina a distribuição de gás canalizado no Estado, setor que abrange usuários com utilização intensiva do gás, como a siderurgia, petroquímica, metalurgia, fertilizantes, além de hospitais, comércio e condomínios. Em que pese o RS, até a promulgação dessa lei, tenha sido um dos poucos estados a não regular o serviço por agência reguladora, agora a nova legislação estabelece importantes atribuições para a Agergs.
A regulação do setor abrange a normatização, fiscalização técnica, comercial e econômico-financeira, decisão de conflitos, padronização de contratos, bem como aprovação de tarifas, reajustes e revisões contratuais, dentre outras atividades. Para exemplificar, a normatização do gás compreende a contabilidade regulatória, indicadores de qualidade, revisões tarifárias e reajustes, bem como regulamentos gerais do mercado cativo e do mercado livre.
Para essas atividades, a Agergs conta com apenas 65 servidores para atividades administrativas e para a regulação, com atuação no gás canalizado e em mais oito setores econômicos, como energia elétrica, saneamento básico, rodovias concedidas e transporte rodoviário de passageiros. Constata-se, portanto, o número absolutamente insuficiente de servidores para setores complexos, que são também serviços públicos essenciais.
A captação de investimentos pode ser estimulada pela atividade regulatória eficiente, pois oferece previsibilidade contínua de regras, condutas e procedimentos. Em consequência, torna-se mais efetiva a capacidade de planejamento das empresas e os investimentos conseguem ser antecipados em ambiente de estabilidade setorial e segurança jurídica.
Por isso, é indispensável a valorização de reguladores, que integram carreira de Estado e cujo quadro funcional tem alta rotatividade em função da remuneração, com perda de capacidade regulatória e de conhecimento técnico pela Agência. Esse problema histórico não constitui questão interna da Agergs ou corporativa, estando diretamente ligado à regulação de qualidade e célere em suas respostas nos diversos setores regulados, com benefícios para a população e para a economia do Estado.
Fonte: Correio do Povo (RS) – Sérgio González
Related Posts
Governo monitora pressão para travar debate da ANP sobre infraestrutura de gás
Segundo reportagem do Valor, integrantes do governo acompanham com preocupação movimentações de agentes do setor de petróleo e gás após a ANP pautar a discussão sobre regras de acesso de terceiros a...
Em entrevista à FM Cidade, presidente da MSGÁS garante abastecimento e anuncia chegada histórica do gás a Dourados
Mato Grosso do Sul vive um momento de pleno desenvolvimento econômico, e a infraestrutura de gás natural é um dos principais motores desse crescimento. Foi com essa mensagem otimista que a presidente da...

