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Potência de motores é desafio para uso do gás em frota pesada

A adoção do biometano como substituto do diesel ou do gás natural na frota pesada ainda encontra barreiras na potência dos motores desses veículos e na falta de uma rede de distribuição para os mercados consumidores.

A Cocal, que começou a produzir biometano neste ano, utiliza o gás em oito veículos – basicamente caminhões e tratores com motores apropriados ao biometano de fábrica. Mas a adoção em máquinas agrícolas pesadas, como em colhedoras de cana, está distante, segundo André Gustavo Alves da Silva, diretor comercial e de novos produtos da companhia.

Em alguns casos, é possível instalar kits em veículos totalmente a diesel que permitem rodagem com 50% de diesel e 50% de biometano. “Mas essa opção vai melhor em equipamentos de baixa potência, como caminhões de até 300 cavalos e veículos leves”, afirma ele.

Uma terceira opção é substituir o motor a diesel por um 100% a gás, opção que está limitada a motobombas e caminhões, diz. Há ainda a possibilidade de converter motores a diesel para o ciclo Otto, mas, segundo ele, essa via ainda precisa de mais desenvolvimento.

Além do mais, essas opções ainda não atendem as máquinas mais pesadas, as que mais consomem diesel nas operações. “Para veículos mais pesados ou que têm que subir uma serra íngrime, ele ainda não tem a mesma eficiência”, afirma Tamar Roitman, gerente executiva da Abiogás.

Mesmo para as opções existentes, uma dificuldade é que o maquinário com motor a biometano de fábrica é mais caro que o movido a diesel. Uma saída tem sido atender a demanda industrial. A Raízen, por exemplo, fechou contratos para vender biometano a fábricas de Yara e Volkswagen a partir de 2023. “Tem demanda industrial importante e espaço para substituir o óleo combustível na redução de emissões e custos”, diz.

Mas, na indústria, o biogás competirá com outras fontes renováveis, como energia eólica e solar. Já no segmento de transportes pesados, não há outra alternativa de descarbonização pronta a não ser o biometano, sustenta ele.

 

Fonte: Valor Econômico

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