O governo deve iniciar em novembro o monitoramento diário dos estoques dos combustíveis, medida esperada pelo mercado, mas que ganhou importância por causa da guerra na Ucrânia, causadora de um aperto na oferta global de combustíveis, especialmente de óleo diesel. Segundo o superintendente de distribuição e logística da ANP, Rubem Cerqueira Freitas, a medida ainda passa por ajustes, antes de entrar em vigor.
O tema foi discutido no ano passado em consulta pública pela ANP, que editou regulamentação em fevereiro, dias antes do início da guerra da Ucrânia – principal fator de pressão nos preços do petróleo e dos derivados no mundo. Na ocasião, a ANP entendia que o monitoramento diário dos estoques permitiria antever situações de risco. A guerra resultou em sanções contra a Rússia, um dos principais exportadores de óleo diesel; algumas imediatas, outras para vigorar a partir do ano que vem.
Em relação ao mercado de gás natural, o diretor-executivo de exploração e produção da Petrobras, Fernando Borges, confirmou que o gasoduto Rota 3 deve ter um atraso de dez meses. A nova previsão é de entrada em operação em 2024. “Isso causou um certo desconforto. Havia a expectativa de começar com a infraestrutura, mas infelizmente isso passou por um atraso na execução da obra”, disse. Borges disse ainda que a Petrobras poderá ampliar o despacho de gás em até 5 milhões de metros cúbicos por dia depois que o duto entrar em operação. O Rota 3 vai ligar o pré-sal da bacia de Santos ao Polo Gaslub, em Itaboraí (RJ).
Segundo ele, a estatal tem estrutura com os gasodutos Rota 1, Rota 2 e, futuramente, com o Rota 3, para atender a todos os campos onde hoje produz no pré-sal. “Não precisamos de mais infraestrutura para esses projetos”, disse. Ele disse que é uma “falácia” dizer que a empresa poderia elevar em até 30 milhões de m3 /dia o volume de gás disponibilizado ao mercado.
No segmento de energia renovável, a ANP destacou que se prepara para a entrada do hidrogênio verde no país em bases comerciais. Symone Araújo, diretora da ANP, afirmou que vem tratando o tema “de forma transversal” e que já existe política governamental em curso sobre o tema. “A agência tem que se estruturar para a chegada de um novo energético, um novo combustível”, disse Symone.
Fonte: Valor Econômico
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