As empresas cogeradoras que utilizam gás natural e biomassa para gerar energia elétrica no local, tanto para autoabastecimento quanto para vender energia excedente à rede, não são novidade no Brasil. No entanto, participantes do VII Fórum Cogen, em São Paulo, apontaram a falta de precificação de atributos como uma pegada de carbono menor para algumas fontes de energia ou uma capacidade de responder rapidamente ao aumento da demanda como um obstáculo para a expansão. Muitos estão pedindo melhorias nos preços da energia e investimentos em infraestrutura no gás natural para apoiar o crescimento da cogeração.
O preço spot da energia no Brasil é calculado por meio de um modelo computacional amplamente baseado em dados relacionados às hidrelétricas. Ele não leva em conta outros fatores, mas à medida que a energia solar e a eólica se expandem no Brasil, há um consenso em todo o mercado de que precificar esses atributos corretamente ajudaria a garantir um crescimento mais seguro da rede elétrica. O preço spot nacional da energia permanecerá em seu valor mínimo regulatório até 2026, de acordo com as projeções da comercializadora Thymos Energia. A previsão prevê que o preço comece a subir de 2027 a 2030, atingindo apenas um patamar mais alto de R137-139/MWh de 2031 a 2034.
Os participantes do fórum esperam que os preços permaneçam moderados até 2030, com excesso de energia oferecida no mercado e nenhum crescimento considerável na carga. Nesse contexto, o benefício da cogeração seria agregar confiabilidade à rede como fonte pronta para despacho em meio ao crescimento das fontes intermitentes e à diminuição dos custos de transmissão em um momento em que há falta de capacidade de transmissão disponível — já que a cogeração permite que as indústrias gerem sua própria energia localmente sem depender da infraestrutura de transmissão.
Preços competitivos do gás natural também poderiam impulsionar a cogeração, mas a falta de infraestrutura de gás e um sistema regulatório sólido são desafios para o transporte nacional. A cogeração oferece uma oportunidade de conectar o setor de gás natural ao setor elétrico e agregar confiabilidade à rede, segundo o diretor técnico comercial da SCGÁS, Tiago Cabral. A capacidade de cogeração do Brasil utiliza uma ampla gama de combustíveis, segundo dados da Cogen. São 17,1GW de capacidade de energia a biomassa, que inclui 12,35GW com bagaço de cana; 32GW de energia a gás natural, 376MW de biogás, 33,6GW de usinas solares.
Fonte: Argus Media
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