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Apoio político ao biogás cresceu nos últimos dois anos, aponta IEA

O apoio político ao aproveitamento do biogás acelerou globalmente, nos últimos dois anos, por conta das preocupações com segurança energética desencadeadas pela invasão da Ucrânia pela Rússia. A conclusão é da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês), que em seu recém-publicado relatório anual sobre o desempenho das energias renováveis no mundo (Renewables 2023) incluiu pela primeira vez uma análise especial sobre o biogás, justamente em razão do identificado aumento de interesse pela alternativa renovável obtida por biodigestão anaeróbica de resíduos dos mais variados. Segundo o relatório, apesar de a produção de biogás ter começado a crescer na década de 90, a partir de 2021 vários países passaram a enxergar seu potencial de geração doméstica para substituir importações de gás natural no médio e longo prazo, ameaçadas por conta do conflito na Ucrânia.

Uma segunda motivação que afetou positivamente o apoio à geração de biogás/biometano, segundo a IEA, é a urgência climática de limitar o aumento da temperatura global a 1,5º C. Vários países passaram a incluir o biogás como tecnologia pronta para acelerar a descarbonização no curto prazo, diz a publicação. Pelos últimos dados globais apurados pela IEA, a produção global combinada de biogás e biometano atingiu mais de 1,6 EJ (exajaule) em 2022, o que corresponde a um aumento de 17% em relação a 2017.

Quase metade da produção se concentra na Europa, sendo a Alemanha responsável por quase 20% do consumo global. Outros 21% são produzidos na China, seguidos pelos Estados Unidos (12%) e Índia (9%). Como vantagens identificadas pelos países para expansão do biogás, a IEA aponta ainda seu potencial para descarbonizar setores difíceis de eletrificar, como transporte e indústrias, por meio principalmente de sua versão purificada, o biometano, que se torna substituto do gás natural combustível.

Além disso, tanto biogás como biometano reduzem não apenas as emissões de CO2 da combustão de combustíveis fósseis, “mas também, quando gerenciadas corretamente, as emissões de metano dos setores de resíduos e agricultura/pecuária (responsáveis por 60% das emissões globais antropogênicas de metano)”, aponta a IEA.Esa segunda vantagem se alinharia com as metas de redução de emissões de metano do acordo Global Methane Pledge, lançado em 2021 na COP26, de Glasgow, e assinado por 155 países, entre eles o Brasil que, aliás, não tem sua política e iniciativas de biogás citadas no relatório da IEA.

Fonte: EnergiaHoje

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