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Raízen busca compradores para biogás e aposta em sinergia com etanol 2G

A estratégia da Raízen para o biogás de agora em diante deve envolver sinergias com as unidades de etanol de de segunda geração (2G) da empresa, além do fechamento de contratos antes do início da construção de novas plantas, indicou o CEO da companhia, Ricardo Mussa. A empresa segue com apetite para atuar no segmento de biogás, mas está avaliando os próximos passos desde o ano passado, e apenas deve iniciar uma nova planta se tiver “um bom contrato”. O executivo explicou que a equipe da Raízen está em busca de clientes. A companhia espera iniciar em breve a operação da segunda planta de biogás do portfólio, em Piracicaba (SP), com capacidade para 26 milhões de m³/ano de biometano. Localizada junto ao Bioparque Costa Pinto, a planta está em fase final de construção. “O mercado de biogás é muito incipiente. Então, estamos com uma velocidade mais devagar, esperando ter mais contratos”, disse o executivo.

Produzido a partir de resíduos da cana-de-açúcar, o biogás é um dos produtos com maior potencial de redução de emissões de gases de efeito estufa em relação aos combustíveis fósseis. No entanto, por questões logísticas, precisa de compradores locais. “A questão do biogás é a interligação com a rede, porque está realmente em pontos mais distantes”, disse o CEO da Raízen. Mussa destacou que a expansão das unidades de etanol 2G tende a favorecer os novos projetos de biogás, devido à disponibilidade de matéria-prima, a vinhaça. “É muito natural que as nossas plantas de biogás sigam as plantas de segunda geração, porque assim acaba tendo vinhaça quase o ano inteiro. (…) Eu vejo como uma fortaleza crescer o biogás em conjunto com a entrada da segunda geração”, disse.

A estratégia de usar contratos de longo prazo com os futuros clientes antes do início da construção dos projetos tem favorecido a expansão da Raízen no mercado de etanol 2G. “Como é um produto em que dominamos a tecnologia, somos praticamente a única empresa do mundo a produzir, os nossos clientes fecharam contratos de longo prazo, para garantia de suprimento, com volumes e preços mínimos garantidos. É uma condição muito única”, destacou Mussa. Segundo o executivo, com a antecipação dos contratos, algumas das novas plantas já têm 80% da capacidade negociada, o que permite “autofinanciar” a construção e evita o endividamento da companhia. “É um atestado de confiança do mercado na expansão das plantas da segunda geração”, disse.

Hoje, a companhia opera a maior usina de etanol 2G do mundo, o Parque de Bioenergia Bonfim, na cidade de Guariba (SP).  É a segunda usina de etanol 2G da companhia. A primeira é o Parque de Bioenergia Costa Pinto, em Piracicaba (SP). Outras três plantas devem ter o início da operação ainda em 2024. Também este ano, a companhia espera iniciar a construção de mais três unidades, além de avançar nos projetos de outras três. A localização das plantas 7, 8 e 9, ainda em fase de projeto, ainda não foi anunciada. Segundo Mussa, a tendência é que a execução dos projetos fique mais fácil e, possivelmente, mais barata, devido ao ganho de experiência e de escala. “São várias plantas em construção, todas similares, o que facilita muito a engenharia, a compra de equipamentos, o aprendizado, porque são modulares”, explicou.

Em relação ao mercado de diesel, o CEO da Raízen disse que a mudança na precificação dos combustíveis nas refinarias da Petrobras no ano passado ajudou a tornar o mercado mais estável, sem deixar de acompanhar os preços internacionais. Para Mussa, a demanda brasileira por diesel vai seguir crescendo. “De certa forma, ela [a Petrobras] acaba seguindo sempre o mercado internacional, o que é correto para garantir o abastecimento do mercado”, disse. O executivo destacou que a estatal segue sendo a grande parceira da Raízen no setor de combustíveis. A nova política de preço da Petrobras, anunciada em maio de 2023, substituiu o preço de paridade de importação (PPI), que levava em consideração os preços no mercado internacional e a cotação do câmbio. A Petrobras segue levando em conta os preços internacionais e o câmbio na definição dos preços, mas agora considera também as alternativas para o suprimento e o valor marginal da petroleira ao definir os preços. Segundo o CEO da Raízen, mesmo com a alteração, o mercado nacional continuou a seguir a dinâmica de em alguns momentos ter mais vantagens para a entrada do produto importado, como ocorreu em dezembro, para depois voltar a se fechar às importações. “Mas o mercado acaba se ajustando”, concluiu.

A expectativa da Raízen é que o consumo de etanol siga elevado devido à diferença em relação aos preços da gasolina nas bombas. Mussa afirmou que, hoje, o etanol representa uma vantagem para os consumidores não apenas em termos ambientais, por ser menos poluente, como também pelo preço. O CEO apontou que, nos últimos meses, a diferença em relação aos combustíveis chegou a 56%. Recentemente, o aumento no preço do etanol reduziu a diferença, mas o biocombustível ainda segue mais barato do que a gasolina. “Tem espaço ainda para o consumo [de etanol] crescer na bomba e é isso que vai determinar até onde vai a alta do preço. Tem espaço para o etanol subir de preço, em relação à paridade máxima da gasolina, ele ainda está muito mais barato”, disse.

Fonte: Epbr

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