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Transição limpa e justa

Em artigo publicado na Folha, o jornalista Nicola Pamplona afirma que o presidente Lula exagera, mas tem certa razão quando diz que o Brasil pode se tornar a “Arábia Saudita da energia verde”. A abundância de recursos naturais e o desenvolvimento da cadeia do hidrogênio, que pode abrir o comércio internacional de renováveis, abrem grandes oportunidades ao país. Até o momento, porém, falta um olhar mais atencioso aos impactos locais dessa necessária corrida pela energia limpa, que afeta principalmente comunidades rurais da região Nordeste e do norte de Minas Gerais. São inúmeros os casos de conflitos com comunidades próximas aos empreendimentos e queixas de dificuldades com a perda de empregos rurais ou a especulação imobiliária em regiões de grande potencial. Nos últimos anos, este repórter já viu gente sem energia elétrica dentro de um parque eólico, pressão de empresas para desalojar moradores e comunidades preocupadas com seu ganha-pão após a ocupação de terras rurais por painéis solares.

Não é um problema só brasileiro e é definido pelo termo “green grabbing”, que é a apropriação de territórios em nome de um bem ambiental. Para ONGs dedicadas a questões sociais no semiárido, são necessários reforços no processo de licenciamento ambiental, melhores contratos com proprietários de terra e respeito à legislação que prevê consultas coletivas às comunidades afetadas. Diferentemente da água e do petróleo, a exploração do vento e do sol não gera royalties nem emprega muita mão de obra local, diante da menor qualificação do trabalhador nos locais onde esses recursos são mais abundantes. Por enquanto, ganho econômico desses projetos se concentra nas mãos de empreendedores, fornecedores de equipamentos e grandes consumidores de energia, hoje seus principais clientes.

Fonte: Folha de S.Paulo / Opinião

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