Os preços do gás natural no Brasil devem se manter pressionados no segundo semestre, mesmo com o avanço das negociações entre Estados Unidos e Irã em torno de um acordo de paz, avalia o vice-presidente do Mercado de gás da Rystad Energy para a América Latina, Vinícius Romano. Segundo ele, em seu cenário base, a Rystad considera que, num eventual acordo de paz, a recuperação da produção, tanto de petróleo quanto gás natural liquefeito (GNL), tende a ser gradual.
A previsão é que o preço do barril do petróleo, principal indexador do gás no Brasil, volte aos US$ 100 num futuro próximo. “[A cotação atual, na casa dos US$ 70] é um número que não deveria refletir o balanço atual. Então a gente espera que o preço volte na casa de $100 o barril agora, no futuro próximo, exatamente porque a China cortou muito a importação de petróleo nos últimos meses, semanas, e eles devem restabelecer essas compras”.
Até o fim do ano a Rystad espera um nível de US$ 80 o barril.
Romano vê 2026 como um ano de inflexão na precificação do gás no mercado livre brasileiro – que, nos últimos anos, caiu gradualmente. “Nossa expectativa é que o preço no mercado spot continue caro por mais tempo nesse ano e isso impacte nas renovações para o ano seguinte”
GNL deve se manter pressionado até 2028
Já no mercado global de GNL, o caso é mais crítico a curto prazo, devido à destruição de parte da infraestrutura de liquefação do Catar, mas a longo prazo a perspectiva segue sendo de sobreoferta da commodity – em parte devido à destruição de demanda.
Ele relata que novos projetos no Oriente Médio, no Catar e Emirados Árabes Unidos, serão atrasados. “Isso gera um novo balanço, de modo que mais ou menos até 2028 o mercado está com um cenário de falta, o mercado está apertado. E aí o que isso significa para o mercado global é GNL acima de US$ 10 o milhão de BTU, se eu for simplificar”, comenta.
Já com o aumento da capacidade de produção nos Estados Unidos, a previsão é que os preços globais sejam empurrados para baixo, para um patamar entre US$ 6 e US$ 7 o milhão de BTU entre o fim da década e início da próxima.
Fonte: Eixos
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