Considerado uma das melhores alternativas ao óleo diesel de origem fóssil, o biometano pode ser uma peça-chave na transição energética brasileira. Atualmente, a produção não chega a 1 milhão de metros cúbicos por dia, mas a perspectiva é de que dobre até o ano que vem. A longo prazo, o País tem o potencial de produzir diariamente 120 milhões de metros cúbicos, o que seria suficiente para substituir 60% do diesel usado atualmente em caminhões. A precificação do produto e a rede de abastecimento ainda são gargalos. O biometano é um combustível gasoso produzido a partir da purificação do biogás gerado pela decomposição de matéria orgânica. O combustível é considerado o substituto perfeito para óleo diesel de origem fóssil na frota de caminhões, ônibus e maquinário agrícola. Esse combustível representa uma redução em mais de 90% as emissões de gases do efeito estufa. Levando-se em conta que a maior parte da produção agrícola brasileira é escoada por rodovias, o ganho em redução de emissões é significativo.
“Nossa matriz energética é muito limpa, mas ainda temos grandes desafios no que diz respeito ao combustível fóssil”, afirmou Daniela Teixeira, diretora de comunicação da Gás Verde. “E o Brasil tem um diferencial muito grande em relação ao mercado global de biometano porque esse combustível é produzido a partir de resíduos orgânicos que temos em abundância, sobretudo no lixo urbano e no agronegócio; estamos dando os primeiros passos, mas o potencial é enorme”. Uma outra vantagem do biometano é que, por ter propriedades químicas idênticas às do gás natural de origem fóssil, ele pode ser injetado diretamente nos mesmos gasodutos e queimado nas mesmas indústrias, sem necessidade de troca de caldeiras, turbinas e infraestrutura de transporte. Além disso, em um período inicial de transição, ele pode ser usado como combustível junto com o gás natural. “A mudança individual também é importante”, ressaltou Oliver Jones, gerente executivo de novos negócios da MDC Energia. “Entre as pessoas que têm condições de investir, é importante começarmos a enxergar valor em produtos que têm menos intensidade de carbono, mesmo que eles custem um pouco mais caro; o consumidor também tem de ver valor na transição energética”.
Fonte: O Estado de S.Paulo
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