A ES Gás projeta ampliar seu quadro de colaboradores para cerca de mil profissionais e levar a rede de distribuição de gás natural para mais cinco municípios capixabas até 2030.
A expansão faz parte do plano de R$ 1 bilhão em investimentos da concessionária e inclui Jaguaré, Nova Venécia, Pedro Canário, Mimoso do Sul e Domingos Martins.
Segundo o diretor-presidente da ES Gás, Raphael Pereira, a empresa conta atualmente com cerca de 170 colaboradores diretos e 500 indiretos, número que deve crescer à medida que as obras de expansão avançarem pelo Espírito Santo. Outro destaque é a previsão de início, ainda neste ano, da primeira injeção de biometano na rede de distribuição.
O combustível renovável será fornecido por meio de um projeto em parceria com a Marca Ambiental, em Cariacica.
Raphael também detalhou um projeto de pesquisa voltado à secagem de café com gás natural.
A Tribuna — A ES Gás atingiu a marca de 100 mil clientes. O que isso representa?
Raphael Pereira — É um marco para a ESGás, mas principalmente para o Estado, um dos poucos no País com uma infraestrutura de distribuição de gás natural que atende mais de 100 mil clientes. E sem estar entre os estados mais populosos do país. É um resultado que demonstra a eficiência dos investimentos e a importância dessa infraestrutura para residências, comércios, postos de combustíveis e indústrias.
Como o gás ajuda a atrair investimentos ao Estado?
A infraestrutura de distribuição de gás é um fator relevante para muitas empresas ao decidir onde investir. A GWM, por exemplo, avaliou a disponibilidade dessa infraestrutura no processo de escolha do local onde iria se instalar. Participamos das discussões desde o início, mostrando como o atendimento poderia ocorrer. Não foi o único fator, mas cada detalhe conta em investimentos desse porte. Também temos exemplos como a DM Descafeinadores, a Alugreen e novos projetos da Vale que utilizam gás natural.
O primeiro biometano da rede capixaba começa quando?
Ainda neste ano. Estamos concluindo um projeto em parceria com a Marca Ambiental, em Cariacica. O lixo produzido na Grande Vitória gera biogás durante sua decomposição. Esse biogás passa por um processo de purificação e se transforma em biometano, que possui características equivalentes às do gás natural. A partir daí ele poderá ser injetado na rede e utilizado em qualquer aplicação: na indústria, em veículos ou em residências.
Qual o potencial do biometano para o Espírito Santo?
É enorme. Estamos falando de um combustível renovável produzido a partir de um resíduo que antes representava apenas um passivo ambiental. O biometano tem uma pegada de carbono cerca de 90% menor que a do gás natural. Além disso, cada planta de produção exige investimentos significativos. Uma unidade desse porte demanda algo próximo de R$ 50 milhões. Por isso estamos trabalhando para atrair novos projetos semelhantes.
A ES Gás está desenvolvendo um projeto voltado para a cafeicultura. Como ele funciona?
Estamos realizando um projeto de pesquisa e desenvolvimento para utilizar gás natural na secagem do café. Hoje grande parte desse processo utiliza lenha. O uso do gás elimina a fumaça e permite um controle muito mais preciso da temperatura. Isso pode reduzir perdas durante a secagem e melhorar a qualidade do café produzido. Estamos acompanhando os resultados nesta safra e avaliando os impactos sobre produtividade e qualidade do produto final.
Quais municípios devem receber a expansão da rede nos próximos anos?
Hoje atendemos 14 municípios. A expectativa é chegar a 19 até 2030. Trabalhamos para levar a infraestrutura para Jaguaré, Nova Venécia, Pedro Canário, Mimoso do Sul e Domingos Martins. A ideia é interiorizar o gás natural e criar condições para que novas indústrias e empreendimentos possam se instalar nessas regiões.
Domingos Martins realmente terá posto de GNV?
Sim. Até 2030, haverá um posto de GNV na BR-262. Isso faz parte de um projeto maior de estruturação de corredores logísticos para veículos movidos a gás natural. A região tem importância estratégica para a ligação entre Minas e Espírito Santo.
Qual é o impacto dos novos projetos termelétricos contratados para o Espírito Santo?
O Estado ficou muito bem posicionado no leilão de reserva de capacidade. Foram quatro novos projetos vencedores no Estado, sendo dois da Eneva, que somam cerca de R$ 4 bilhões em investimentos. Além disso, três usinas que já existiam foram recontratadas. Isso demonstra que o Estado construiu uma infraestrutura capaz de atrair empreendimentos de grande porte. A distribuição de gás natural é parte importante dessa equação, porque viabiliza o fornecimento necessário para esses projetos. Estamos trabalhando para levar a infraestrutura até essas usinas, mas os benefícios vão além delas.
A ES Gás é uma empresa da Energisa. A Energisa pretende ampliar sua atuação no Espírito Santo além da ES Gás?
A Energisa é uma empresa com 121 anos de existência e hoje atua em diversos segmentos do setor de energia. No Espírito Santo, nossa participação direta hoje está concentrada na ESGás, mas o Estado reúne características muito positivas para novos investimentos. Sem dúvida, estamos sempre atentos a oportunidades e abertos a avaliar novos investimentos além da distribuição de gás natural.
Fonte: A Tribuna Online (ES)
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