A guerra no Irã deve provocar o maior recuo anual já registrado na oferta global de gás natural liquefeito (GNL), com o conflito estrangulando fluxos e aumentando a competição entre países importadores, alertou a Agência Internacional de Energia (IEA, em inglês). Em relatório divulgado na terça (03), a agência disse que a oferta mundial de GNL deve cair 3% em 2026 — cerca de 20 bilhões de metros cúbicos — em grande parte por interrupções no transporte pelo Estreito de Ormuz e por ataques iranianos a infraestrutura regional, que reduziram fortemente exportações do Catar e dos Emirados Árabes Unidos. A IEA observou que a projeção parte do pressuposto de que os fluxos comerciais por Ormuz permanecerão amplamente interrompidos ao menos até o fim do ano. Antes do conflito, o estreito era responsável por cerca de 20% dos fluxos globais de GNL, segundo o relatório. O choque foi parcialmente amortecido por aumento de produção fora do Golfo. Novos projetos na América do Norte e na África — além de mais gás direcionado a plantas existentes de GNL na África, Ásia e Rússia — elevaram a produção fora do Golfo Pérsico em 14% entre março e outubro, compensando aproximadamente dois terços da perda de suprimento na região.
Produção global em queda
Ainda assim, a IEA calcula que a produção global de GNL caiu cerca de 6% durante a guerra, e avalia que a escassez deve acirrar a disputa entre compradores nos próximos meses, sobretudo nos picos de consumo. A Europa aparece como um ponto sensível. A IEA disse que estoques de gás na União Europeia (UE) entram na temporada de aquecimento 2026-27 nos níveis mais baixos desde 2013, aumentando a dependência europeia do GNL no inverno. Além disso, para recompor reservas durante o verão do Hemisfério Norte, a região pode precisar comprar significativamente mais GNL, o que pode manter o mercado apertado até bem dentro de 2027. O relatório ressalta que a restrição de oferta ocorre ao mesmo tempo em que a demanda global por gás tende a enfraquecer em 2026, com queda estimada de 1,5% (quase 65 bilhões de metros cúbicos), puxada por destruição de demanda no Oriente Médio, menor consumo industrial na Europa e substituição de gás por carvão no setor elétrico em partes da Ásia.
Fonte: Eixos / Estadão Conteúdo
Related Posts
Guerra aumenta em US$ 39 bi o custo de importação de GNL no mundo em 2026, estima Rystad
Os países importadores de gás natural liquefeito (GNL) gastarão US$ 39 bilhões a mais no mercado spot em 2026 do que o inicialmente estimado, antes da guerra no Oriente Médio, estima a Rystad Energy. E tudo...
Petrobras assina contrato de 22 anos para compra de GNL com norte-americana Cheniere
A Petrobras assinou contrato de compra e venda de gás natural liquefeito (GNL) de longo prazo com a Cheniere Marketing, LLC, subsidiária da Cheniere Energy. O acordo prevê a compra, pela Petrobras, de 0,8...

