Com tendência de aumento da demanda por GNL no mundo, preços do insumo podem subir, trazendo impactos para o mercado brasileiro
Ainda pouco utilizada no Brasil, a estocagem subterrânea de gás natural pode contribuir para o balanceamento da oferta, no momento em que as térmicas a gás ganham cada vez mais importância, seja para complementar a intermitência das usinas renováveis ou para garantir o abastecimento de energia na base para mercados com restrição de oferta atualmente. É o caso da região Nordeste, onde a seca dos últimos anos dificulta a recuperação dos níveis dos reservatórios das hidrelétricas.
Mas, principalmente, para ser aplicada para suavizar os preços do GNL, segundo evidencia estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). No cenário mundial, a perspectiva é de aumento da demanda por GNL, refletindo em uma elevação dos preços, o que deve atingir em cheio o mercado brasileiro. Isto porque existem projetos de termelétricas associadas à terminais de regaseificação e estudos de ampliação da oferta de gás em alguns estados, também baseados em GNL.
É justamente neste espaço que a estocagem subterrânea poderia ser aplicada, com o gás estocado sendo utilizado em intervalos de demanda e situações cujos preços do GNL estiverem altos. Atualmente, o país tem pagado aproximadamente US$ 10 por milhão de BTU pela compra do gás liquefeito importado.
Nos países da Europa e nos Estados Unidos, por exemplo, a tecnologia já está consolidada, sendo utilizada como suporte às usinas de energia renovável. No estado norte-americano da Califórnia, onde há penetração de centrais eólicas, o gás estocado é utilizado em termelétricas por conta da intermitência sazonal, quando não há vento para gerar energia.
Concessão
Para sair do papel, entretanto, uma instalação de estocagem subterrânea depende de concessão da União, assim como é feito hoje para áreas de exploração e produção de petróleo e gás. Isso sem contar que os reservatórios precisam estar em locais específicos para ser viabilizado, como proximidade com os campos de produção ou de gasodutos, o que facilitaria a injeção do insumo dentro do reservatório natural.
Na avaliação de Ludmilla Corkey, sócia da área de Infraestrutura, Energia e Óleo e Gás do SV Law, a estocagem pode ser uma maneira de monetizar o gás que será produzido no pré-sal, embora empresas estejam estudando outras opções, como a criação de termelétricas no modelo gas-to-power, onde o gás é destinado diretamente do campo para a usina gerar energia.
A alternativa para uso térmico, no entanto, exige garantia de energia firme, pois o gás do pré-sal precisa ser imediatamente destinado para evitar colocar em risco a produção de petróleo.
O estudo da EPE sobre estocagem subterrânea foi realizado justamente pela necessidade de buscar maior segurança energética ao país, inclusive, já há empresas interessadas nesse tipo de técnica. Na Bahia, por exemplo, há um campo com autorização e que passa, atualmente, por estudos para definir a capacidade de estocagem e as técnicas empregadas para manutenção do gás no reservatório.
Dados preliminares indicam algo em torno de 150 milhões de m³ em capacidade de armazenamento. Apesar dos bons números, Gabriel Figueiredo da Costa, consultor técnico da área de Gás Natural da EPE, afirma que são necessários mais estudos para avaliar o tamanho desse reservatório.
Fonte: Brasil Energia
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