A referência global de petróleo, o Brent, fechou a sessão de 05/8 em queda de 3,36%, perto das mínimas do dia, a US$ 59,81 por barril nos contratos para outubro, com a referência dos EUA, o WTI, em baixa de 1,74%, a US$ 54,69 por barril, nos vencimentos para setembro, em dia marcado por aversão a risco em base ampla, com o acirramento da disputa comercial entre EUA e China.
Pela primeira vez desde 2008, o yuan foi negociado hoje além da marca de 7 por dólar, o que despertou receio generalizado de uma guerra cambial em ampla escala, que resultaria em escalada do protecionismo comercial entre as duas maiores economias do mundo, afetando a perspectiva global e a demanda por commodities.
“Tendo em vista o foco na questão tarifária, e a desaceleração do crescimento mundial, o mercado tende a se mover para baixo, com eventuais recuperações em função das notícias que chegarem do Oriente Médio”, diz a Drillinginfo, que aposta em novas perdas para os preços do petróleo ao longo desta semana, que devem colocar o WTI a caminho de testar a linha de suporte em torno de US$ 50 por barril, que segurou o mercado em maio.
A volatilidade se impôs desde o mergulho de quase 8% para o WTI e de 7% para o Brent na quinta-feira, quando o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou pelo Twitter adoção de alíquota de 10% sobre mais US$ 300 bilhões em importações originadas na China, a partir de 1º de setembro. A imposição de novas tarifas praticamente alcança todo o conjunto de compras dos EUA junto ao país asiático, em momento no qual ambas as partes retomavam as negociações sobre a prolongada disputa comercial.
Após o pior dia para o petróleo desde 2015, os preços tiveram recuperação moderada na sexta-feira, com o WTI em alta de 3% e o Brent, de 2%. Neste cenário de aversão a risco, os preços da commodity voltaram a cair hoje, apesar de forças iranianas terem apreendido no fim de semana, perto da ilha Farsi no Golfo Pérsico, um navio-tanque do Iraque que estaria contrabandeando petróleo – uma notícia que, em tese, tenderia a contribuir para dar suporte aos preços.
Em outro desdobramento sobre o Oriente Médio, o Reino Unido informou hoje que formará uma missão conjunta para assegurar a travessia segura de navios pelo Estreito de Ormuz, foco de tensões com o Irã desde maio, agravadas em junho.
Fonte: Valor Online
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