A YPFB assinou, com a TotalEnergies e a Matrix Energy, o seu primeiro contrato operacional internacional para viabilizar a exportação do gás natural argentino para o mercado brasileiro por meio do Sistema Integrado de Transporte da Bolívia. O serviço de trânsito internacional é uma nova linha de negócios criada pela estatal boliviana, no contexto da aproximação entre Brasil e Argentina. O Decreto Supremo 5.206/2024, publicado pelo governo boliviano em agosto, atribuiu à YPFB o papel de agregadora de gás em trânsito. O serviço custará entre US$ 1,4 e US$ 2 o milhão de BTU, dependendo do tipo de contrato.
A estatal boliviana oferecerá produtos com prazos diferentes: sazonal, trimestral, mensal e diário. O valor para o trânsito internacional veio acima do esperado, por se tratar de uma infraestrutura já instalada. A tarifa da YPFB não tem sido encarada, no entanto, como um impeditivo, isoladamente. Para a chegada do gás argentino ao Brasil no curto prazo, a Bolívia é a única rota viável. Os governos de Lula (PT) e Javier Milei, no entanto, avaliam rotas alternativas para viabilizar o envio de gás argentino em volumes maiores a longo prazo.
Agentes de mercado de ambos os países se movimentam para viabilizar o envio das primeiras moléculas de gás argentino ao Brasil na janela do verão, quando há um excedente de gás no país vizinho para exportação. Segundo duas fontes que participam de negociações para importação de gás argentino, a expectativa é que as primeiras importações (em bases interruptíveis e volumes limitados) se concretizem no primeiro trimestre de 2025, já no fim dessa janela. Será um teste para o modelo dessa relação comercial. Existem, hoje, cinco comercializadoras autorizadas pelo governo argentino a trazer gás do país vizinho para o Brasil, todos eles na modalidade interruptível: Gas Bridge possui acordo com a Pluspetrol; Matrix Energy com a Total Austral (via Bolívia); MGás (J&F) com a Tecpetrol (via Bolívia) e Total Austral (via Uruguaiana); PAE com a própria Pan American Energy (via Bolívia); e Tradener com a Pan American Energy (via Bolívia).
Fonte: Eixos
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