O diretor-executivo da Abegás, Marcelo Mendonça, manifestou preocupação com os reajustes tarifários para a molécula previstos para 1º de maio e 1º de agosto, conforme calendário trimestral.
Apesar de o Brasil possuir produção nacional capaz de atender à demanda, especialmente no mercado industrial fora do setor termoelétrico, Mendonça criticou a exposição do país a efeitos geopolíticos. “O Brasil não deveria estar exposto [a esses impactos] até porque a produção nacional atende a demanda brasileira, principalmente no mercado industrial, fora do mercado termoelétrico. Não teria necessidade de a gente ter uma exposição tão grande aos efeitos geopolíticos,” afirmou.
O diretor da Abegás também apontou para a existência de medidas que, paradoxalmente, beneficiam combustíveis mais poluentes em detrimento do gás natural. “A gente vê algumas medidas que beneficiam combustíveis mais poluentes, invés de gás natural. Então, a gente vê dentro dessa agenda o esquecimento do gás natural, privilegiando o diesel, que tem maior pegada de carbono”, explicou.
Classificação de gasodutos
A discussão sobre a classificação de gasodutos também foi mencionada por Mendonça como um tema relevante, que deve respeitar os limites de atuação da ANP e das agências estaduais. “Se a ANP quiser classificar o transporte que está a montante dos city gates, está perfeito. Agora, não pode invadir na competência estadual”, afirmou, destacando o papel das distribuidoras, que investem cerca de R$ 1,5 bilhão anualmente.
Apesar da expectativa de aumento de oferta de gás, Mendonça ressaltou a urgência de transformar esse potencial em realidade. “Não dá mais para esperar,” disse. “O objetivo deve ser monetizar o gás para impulsionar o crescimento econômico e a geração de empregos no Brasil”, afirmou, reforçando a necessidade de que esses debates não se restrinjam apenas a momentos de crise, mas que as discussões “permaneçam durante todo o ano”.
Fonte: EnergiaHoje
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