Na entrevista concedida à Brasil Energia no Bahia Oil & Gas Energy 2026, o diretor-presidente da Bahiagás, Luiz Gavazza, traçou um panorama otimista sobre o atual momento da companhia, focado prioritariamente na interiorização da distribuição de gás no estado – um passo que ele classifica como a saída das “capitanias hereditárias” do litoral em direção ao desenvolvimento de todo o território baiano. Gavazza ressaltou não apenas os desafios geográficos e de demanda reprimida, mas também as inovações que a companhia está implementando, que vão desde a inauguração de novos trechos de gasodutos até o uso de Gás Natural Liquefeito (GNL) e biometano para viabilizar a transição energética do setor industrial e do agronegócio baiano. Os principais destaques da conversa foram:
Inauguração do Gasoduto Sudoeste: O grande destaque de curto prazo da companhia é a inauguração, prevista para a virada do primeiro para o segundo semestre, do primeiro e segundo trechos do Gasoduto Sudoeste, bem como da unidade de rede local da área industrial de Vitória da Conquista. Esse movimento marca o quarto ciclo de interiorização da empresa, conectando municípios importantes como Jequié e Maracás.
Novos clientes e o primeiro de Vitória da Conquista: Gavazza revelou que o primeiro cliente industrial a ser atendido pela nova rede local no sudoeste (Vitória da Conquista) é a Oxibra, uma produtora de cogumelos desidratados. A empresa também está em negociações com gigantes locais e planeja conectar em breve o polo de extração da Largo Resources (conhecida como Vanádio de Maracás), além de já possuir contratos estruturados com postos de combustíveis na região.
Soluções para o agronegócio (Oeste Baiano): Por conta do déficit energético no oeste da Bahia (onde a demanda reprimida do agronegócio é muito superior à capacidade de fornecimento elétrico atual), a Bahiagás tem como estratégia inicial suprir a região com GNL transportado por carretas, e em um prazo de aproximadamente dois anos, desenvolver uma infraestrutura movida a biometano.
Corredores sustentáveis e substituição do diesel: A empresa vem atuando na criação de corredores sustentáveis para veículos pesados. O foco é fornecer infraestrutura de abastecimento de Gás Natural Veicular (GNV) em postos e garagens de frotas logísticas, como uma alternativa viável e econômica para substituir o diesel, que é o grande vilão da emissão de gases de efeito estufa no hemisfério sul.
Competitividade tarifária: Questionado sobre a insatisfação geral da indústria com o preço da energia, Gavazza destacou que a Bahiagás possui hoje a tarifa média mais competitiva do segmento industrial do país, e uma das tarifas médias mais baixas de modo geral, perdendo apenas para o estado de Alagoas (que conta com condições muito específicas e um volume bem menor). O presidente reforçou o empenho em criar “engenharias de negócios” para baratear ainda mais o custo final para o consumidor.
Sinergia com energias renováveis (biometano) e data centers: Além do gás tradicional, há projetos promissores de produção de biometano nas regiões de Juazeiro/Petrolina e através de resíduos “agrossilvopastoris” no oeste baiano. O executivo também citou que o gás natural pode atuar como fornecimento seguro e ininterrupto necessário para atrair a instalação de grandes Data Centers no Nordeste, aliando-se às matrizes solar e eólica já abundantes na região.
Assista a entrevista completa ou BrasilEnergia_Bahiagás_29_05_26.pdf (anexado)
Fonte: Brasil Energia / Bahia Gas & Oil Energy 2026
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