O presidente da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, acredita que os preços de gás natural devem aumentar nos próximos meses, diante da extensão dos conflitos no Oriente Médio e a chegada do inverno no hemisfério Norte. “O gás natural na Europa está aumentando, estamos em 80, 90 euros por MWh. Eu não vou ficar surpreso se o gás natural cruzar 100 euros por MWh”, disse Pouyanné. Ele lembrou que o gás é um produto muito sazonal, com alta demanda no inverno, o que pode tornar as análises de demanda anual do combustível um pouco enganosas. “Os consumidores vão reclamar, mas as economias europeias vão pagar mais para atrair a energia de que precisamos na Europa”. Mesmo assim, o executivo descarta uma crise tão aguda quanto a ocorrida em 2022, quando houve a eclosão do conflito entre a Ucrânia e a Rússia, que era a principal fornecedora de gás da Europa.
Pouyanné também avalia que, entre os clientes da TotalEnergies, o impacto do atual conflito no Oriente Médio foi “imensamente favorável” à companhia que, segundo o executivo, não rompeu nenhum contrato de gás natural liquefeito (GNL) por força maior mesmo com a redução em alguns fornecimentos da companhia em Abu Dhabi e Qatar. “O impacto entre nossos clientes foi imensamente favorável, porque nós nos tornamos o produtor de energia mais confiável do mundo. É muito importante demonstrar isso”, acredita. A manutenção dos contratos foi possível, segundo o executivo, graças à produção diversificada da companhia, o que inclui o Brasil. “Produzimos GNL em 11 regiões diferentes”, explicou. “Nesta crise, o fato de que temos um braço forte e extenso de comercialização, logística, acesso a embarcações etc., está demonstrando ter muito mais valor do que imaginávamos”, disse. No painel na ROG.e, Pouyanné também avaliou que, com a eclosão do conflito, as empresas devem estar mais abertas para investirem em resiliência de suas redes. “Ninguém estava realmente pronto para investir em um duto que seria apenas um backup caso algum problema aparecesse. Agora estamos indo em direção a um mundo em que a principal palavra de ordem é a eficiência, mas devemos também incluir a resiliência”, declarou.
Fonte: MegaWhat
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