Empresas brasileiras e japonesas vão desenvolver um projeto para produzir biogás a partir de resíduos da cana-de-açúcar ainda não aproveitados pela indústria sucroenergética. A planta de demonstração será instalada na usina São Manoel, no interior de São Paulo, com início previsto para julho de 2028. O projeto deverá se estender até janeiro de 2030 e avaliar o potencial de produção em escala industrial, incluindo as etapas de coleta da biomassa, pré-tratamento e fermentação. A iniciativa reúne Toyota Tsusho, Toho Gas, Mizuho Bank, Sebigas Cótica e Usina São Manoel e foi selecionada pelo Ministério da Economia, Comércio e Indústria do Japão (METI). A proposta é desenvolver um processo específico para ampliar a produção de biogás a partir de resíduos da cana em uma única unidade sucroenergética. Os estudos também deverão identificar as condições operacionais e reunir dados técnicos para viabilizar a futura expansão comercial da tecnologia. Será a primeira vez que a Toyota Tsusho e a Toho Gas conduzem verificações técnicas voltadas ao aumento de produção por meio do aproveitamento de resíduos até então não utilizados. A iniciativa tem como primeiro foco o atendimento à demanda por combustíveis para mobilidade no Brasil e, em etapa posterior, as empresas consideram a possibilidade de exportar o biogás para o Japão. A usina Açucareira São Manoel foi fundada em 1949 e atua na produção de açúcar, etanol e levedura seca, com capacidade de moagem de 4,3 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por ano.
O projeto se dá em um contexto de atenção para o potencial de crescimento do mercado de biogás e biometano – segundo a Abiogás, a produção de biometano corresponde a menos de 2% do potencial teórico brasileiro, estimado em 120 milhões de m³ por dia. Em teoria, o potencial chega a 120 milhões de m³/dia, com participação expressiva do setor sucroenergético (saiba mais aqui). A EPE, por sua vez, estima potencial superior a 30 milhões de m³/dia, equivalente a cerca de 25% do consumo atual de gás natural no país. Para estruturar a iniciativa, Toyota Tsusho e Toho Gas se associarão ao Mizuho Bank e à Cótica Energia e Participações, empresa do mesmo grupo da Sebigas Cótica, na constituição de uma sociedade de propósito específico (SPE) no Brasil.
Fonte: EnergiaHoje
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