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PetroReconcavo espera quintuplicar produção em Miranga, de olho no mercado de gás

Após concluir a aquisição do Polo Miranga (BA) junto à Petrobras, numa transação que pode chegar a cerca de US$ 220 milhões, a PetroReconcavo assume a operação dos campos maduros com planos de aumentar em mais de cinco vezes a produção local.

O ativo produz, atualmente, cerca de 362 mil m³/dia, mas tem potencial para produzir 1,5 milhão de m³/dia de gás natural, em três anos, e é peça-chave dentro do plano de expansão da companhia no mercado de gás.

A petroleira se prepara para estrear como fornecedora de gás das distribuidoras do Nordeste em janeiro. O presidente da empresa, Marcelo Magalhães, conta que a companhia tem contrato assinado para suprimento à Potigás, do Rio Grande do Norte, e está nos acertos finais para fechar acordo com a PBGás, da Paraíba.

Ao todo, a empresa fornecerá cerca de 316 mil m3/dia em 2022 para essas duas concessionárias. Segundo Magalhães, a PetroReconcavo também está em negociações com a Bahiagás (BA) e discute, neste momento, os termos e condições com a concessionária baiana.

A conclusão da compra do Polo de Miranga era uma condição precedente para o negócio e a expectativa é que as conversas avancem agora. O executivo diz que espera que o desfecho se dê em “questões de semanas”.

Num primeiro momento, os contratos com a Potigás e PBGás serão atendidos pela produção do Polo Riacho da Forquilha (RN). Magalhães destaca que Miranga, no entanto, dará flexibilidade no suprimento ao Rio Grande do Norte e Paraíba. Isso porque, ao contrário dos campos da empresa na Bacia Potiguar, o polo baiano produz gás não associado ao petróleo, o que dá mais margem para manobra na gestão dos volumes produzidos.

Miranga será também a base de sustentação dos planos de expansão da companhia no mercado de gás.

“Isso nos dá mais flexibilidade e nos permite aumentar os volumes contratados com a PBGás e Potigás no futuro e a ganhar contratos com outros Estados”, disse ao Valor.

Além das distribuidoras nordestinas, a PetroReconcavo buscará clientes no mercado livre de gás. O Polo Industrial e Petroquímico de Camaçari (BA) e as fábricas de fertilizantes da Petrobras, arrendadas à Unigel, são alguns dos consumidores potenciais.

A PetroReconcavo aposta na competitividade de seu gás, produzido em terra e com custos de extração mais baixos que os usualmente praticados em operações marítimas. Segundo Magalhães, a empresa tem conseguido oferecer, nos contratos com as distribuidoras, patamares de US$ 5 a US$ 6 o milhão de BTU (unidade térmica britânica).

A companhia pretende começar a mobilizar uma primeira sonda para recuperação dos poços em Miranga em janeiro. A petroleira também tem planos de fazer adequações nos sistemas de compressores e de fazer limpezas dos poços, para otimizar as operações. Aumentar a produção de condensado, por meio da implementação de novos sistemas de bombeio mecânico, também está no planejamento.

“A Petrobras nunca buscou otimizar a produção de gás [nos campos maduros do Nordeste]. Ela administrava os campos em função de aspectos cíclicos e climáticos, para despacho de térmicas. Era seletiva de onde tirava o gás”, afirmou.

Para o futuro, a empresa avalia construir sua própria unidade de processamento (UPGN). Atualmente, a companhia contrata os serviços da Petrobras, na UPGN de Guamaré (RN) e pretende negociar com a estatal o acesso à UPGN de Catu (BA). Magalhães conta, no entanto, que vê incertezas no futuro da infraestrutura existente, na medida em que a Petrobras está vendendo seus ativos.

O executivo comenta também sobre as expectativas em torno do óleo produzido em Miranga. O ativo produz 690 barris/dia. Segundo ele, o petróleo leve produzido no polo se adequa ao perfil de demanda da unidade de lubrificantes na Refinaria Landuplho Alves (Rlam), agora sob gestão da Acelen, do fundo Mubadala.

A expectativa, de acordo com o presidente da PetroReconcavo, é que a companhia consiga melhores condições comerciais com o novo operador da refinaria baiana. “Minha expectativa é que descontos [que a Petrobras impunha sobre o preço do óleo vendido de Miranga] serão reduzidos, à medida que o monopólio da Petrobras se quebre”, disse.

 

Fonte: Valor Online

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