A Shell pode estar negociando a venda de ativos no projeto de exploração e produção de xisto de Vaca Muerta, na Argentina, após ter decidido em dezembro passado sair do projeto Argentina GNL. A gigante petrolífera anglo-holandesa estaria negociando com potenciais compradores todos ou parte dos seus ativos no campo de xisto argentino, na bacia de Neuquén, considerada a segunda maior reserva mundial de gás de xisto e a quarta maior reserva de petróleo de xisto do mundo. Segundo a Energy Information Administration (EIA), dos Estados Unidos, Vaca Muerta pode ter volumes recuperáveis de 308 trilhões de pés cúbicos de gás e 16 bilhões de barris de petróleo, localizados em terra e explorados por fraturamento hidráulico (fracking). A venda total representaria a saída de um dos primeiros investidores de Vaca Muerta, em meio a perspectiva de crescimento do projeto, em início do desenvolvimento, e de retração da produção de outros grandes campos de xisto, como a bacia Permiana, no Texas e Novo México, ativas há duas décadas.
A Shell entrou em Vaca Muerta em 2012 e, desde então, expandiu sua presença para quatro blocos de licenças com participação majoritária e operadas pela própria Shell, além de participações minoritárias em outros três blocos operados pela YPF. A produção da Shell na Argentina foi de aproximadamente 15,6 milhões de barris em 2024, segundo seu último relatório anual. Os ativos da Shell em Neuquén incluem quatro blocos operados: Cruz de Lorena (90%), Sierras Blancas (90%), Coiron Amargo Suroeste (80%) e Bajada de Anelo (50%). A Empresa também possui 45% nos blocos La Escalonada e Rincon La Ceniza, e 24,5% no bloco Bandurria Sur. Em dezembro, um ano depois de firmar acordo com a YPF para a fase inicial de desenvolvimento do projeto de gás natural liquefeito Argentina GNL, avaliado em US$ 50 bilhões, a Shell decidiu sair do negócio, que ganhou como novos parceiros, a Eni e a XRG, da petroleira ADNOC, dos Emirados Árabes. As notícias sobre a saída da Shell de Vaca Muerta, que também consideraram a possibilidade de a empresa desistir do negócio, não foram confirmadas pela petrolífera. Consultada no Brasil, a área de comunicação informou que a Shell não comenta rumores de mercado.
Fonte: PetróleoHoje
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