A ANP concedeu as autorizações preliminares para a Refinaria de Petróleo Riograndense (RPR) a produzir e comercializar de forma contínua o gás liquefeito de origem renovável – chamado Bio-GL – produzido em unidade localizada em Rio Grande (RS), empregando carga contendo 100% de óleo vegetal. O Bio-GL é o equivalente renovável ao GLP, o gás de cozinha. Na autorização vigente da refinaria foi incluído um artigo que permite o processamento de matéria-prima 100% renovável, por meio de despacho publicado no Diário Oficial da União. Já a autorização especial para comercialização do Bio-GL foi aprovada pela diretoria da reguladora. A deliberação do colegiado equipara o Bio-GL ao GLP, de forma a abarcar todas as regras atualmente vigentes para a comercialização de GLP, permitindo o escoamento do produto entre diferentes elos da cadeia de abastecimento. Segundo a ANP, os atos estão relacionados a uma série de processos administrativos que tramitam desde 2024, relacionados à mudança planejada pela Riograndense para substituir o processamento atual de petróleo pelo de matéria-prima de origem renovável, tornando-se, assim, a primeira biorrefinaria do Brasil. A refinaria foi previamente autorizada pela agência a realizar testes de coprocessamento de carga renovável em 2025, que validaram em escala industrial a aplicação da tecnologia desenvolvida pelo Cenpes/Petrobras, que possui termo de cooperação com a Riograndense para este projeto. Também apresentou documentação técnica demonstrando que o Bio-GL atende integralmente às especificações físico-químicas determinadas pela ANP para o GLP. Os certificados de qualidade confirmaram o enquadramento do BioGL na Resolução nº 825/2020, que regula essas especificações.
Ensaios laboratoriais realizados pela Ultragaz em fogões e aquecedores domésticos demonstraram ainda que o Bio-GL é tecnicamente equivalente ao GLP convencional, com resultados semelhantes de potência, consumo, rendimento energético e emissões de monóxido de carbono, todos dentro dos limites normativos. Dessa forma, o Bio-GL pode ser utilizado como combustível “drop-in”, isto é, sem necessidade de adaptações em equipamentos ou infraestrutura, mantendo padrões de segurança e desempenho.
Fonte: EnergiaHoje

