A CEGÁS vai investir cerca de R$ 50 milhões até 2031 na construção de gasodutos para abastecer cinco termelétricas movidas a gás natural no Estado. A informação foi confirmada pelo diretor-presidente da concessionária, Eduardo Marzagão Filho, em entrevista exclusiva ao Diário do Nordeste.
Serão quatro termelétricas no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP), sendo a Termoceará e a Jandaia 1 previstas para serem entregues em 2031 e as Jandaias 2 e 3 com previsão de conclusão em 2029. A quinta usina, UTE Aracati, deve ser finalizada em 2028.
Os empreendimentos estão entre as sete usinas cearenses contratadas no leilão de capacidade realizado pela Aneel e o MME, em março deste ano. De acordo com Marzagão, o abastecimento dessas usinas irá mais que duplicar o atual fornecimento de gás natural promovido pela CEGÁS, passando de 500.000 m³ diários para 1,4 milhão m³.
CEGÁS prevê queda do preço do combustível
O incremento do volume de gás na rede deve, inclusive, reduzir o preço do combustível. É o que garante o presidente da companhia. “O preço do gás natural da gente é regulado pela Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados do Estado (Arce). Eu tenho um limite de aplicação de margem (lucro). Se eu não posso aumentar minha margem, eu tenho que descontar aquele incremento (de abastecimento) no preço. Então, eu vou reduzir”, explica.
No entanto, perguntado qual percentual de desconto está previsto, Marzagão informou ainda não ser possível estabelecer um número concreto. Na visão do executivo, a instalação das usinas traz, ainda, outros benefícios, como a geração de empregos e a atração de outras indústrias.
Rede de gasodutos avança para interior e litoral do Estado
A CEGÁS é responsável pela distribuição de gás natural canalizado no Estado. Atualmente, a concessionária apresenta em torno de 800 km de infraestrutura de gasodutos e está presente em 13 municípios cearenses.
Seguindo uma política de expansão anual de 60 a 80 km em Fortaleza e na região metropolitana, a CEGÁS estrutura crescimento de 21 km no Porto das Dunas, com investimento de R$ 8 milhões.
Outro projeto é na Praia do Futuro, com 9 km de infraestrutura e R$ 1 milhão de investimento. Ambas as obras podem movimentar até 14.400 m3 de gás por dia e têm previsão de conclusão até 2027.
Além disso, a companhia chega ao Cariri com a construção de 45 km de infraestrutura até o final deste ano. O projeto, que contempla os municípios de Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha, conta com investimento de R$ 22 milhões e abastecimento de 50.000 m³ de gás por dia.
“Será um grande marco pro desenvolvimento econômico da região, tanto no setor industrial quanto no setor comercial, veicular e residencial. Além de ser uma energia mais limpa, a gente estima uma economia em torno de 30 a 40% em comparação às outras matrizes energéticas”, ressalta Marzagão.
Também está prevista uma expansão de 13 km em Aquiraz, além de outras em Sobral e municípios adjacentes à região metropolitana de Fortaleza, como Guaiúba e Pacatuba. Porém, mais detalhes sobre esses projetos não foram fornecidos.
CEGÁS avalia uso de gás em caminhões e ônibus urbanos
Além da expansão da infraestrutura, a CEGÁS trabalha a possibilidade de fornecer gás natural a veículos de frota pesada. Nesta semana, o presidente da companhia foi a Brasília debater o assunto em reunião com a Abegás.
A ideia, explica Marzagão, é viabilizar uma infraestrutura interestadual com locais de abastecimento ao longo de rodovias, possibilitando a conversão do diesel para o gás natural no combustível de caminhões de carga.
Outra pauta defendida pela companhia é o fornecimento do gás natural como combustível para a frota de ônibus urbano municipal da Capital. Segundo o presidente da CEGÁS, as negociações com a Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor) ocorrem desde a gestão do presidente anterior. “Essa conversão pode, inclusive, viabilizar o congelamento do preço da passagem, já que o gás natural veicular tem um custo inferior em torno de 20 a 30% em relação ao óleo diesel”, pondera.
Questionada sobre o assunto, a Etufor informou que mantém diálogo com a CEGÁS sobre a possibilidade dessa implementação, e que a iniciativa “está em processo de estudo de viabilidade econômica, com investimentos ainda a serem definidos”.
Fonte: Diário do Nordeste
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