Quarta maior produtora de gás natural do país, a Origem Energia vai investir R$ 2,1 bilhões até 2029. O aporte está vinculado à construção de sete térmicas da empresa que ganharam contratos no leilão de reserva de capacidade, voltado para a segurança energética, realizado em março. O negócio se insere no plano da Origem de se consolidar como uma empresa integrada de energia, com atividades em diversos elos da cadeia do gás natural. A companhia avalia ir além do gás e pode entrar no segmento de energia renovável. A Origem Energia foi fundada em 2017 pela engenheira Luna Viana e pelo economista Luiz Felipe Coutinho. Uma exigência regulatória para atuação como operadora de petróleo e gás é a apresentação de valor mínimo de R$ 700 mil em balanço. Para a Origem atender a esse requisito, Viana precisou incluir o apartamento e o carro do pai no balanço da companhia. O primeiro ativo de óleo e gás foi o campo terrestre de Garça Branca, arrematado em leilão da ANP, em 2018. Em 2020, a gestora de investimentos Prisma Capital comprou o controle da empresa, injetando dinheiro para sua expansão com a aquisição de ativos da Petrobras, que vinha executando um plano de desinvestimentos. Hoje, a Origem atua em campos terrestres em Alagoas, na Bahia, no Espírito Santo e no Rio Grande do Norte. Possui também 300 quilômetros de gasodutos, uma unidade de processamento de gás natural (UPGN) e um terminal de óleo e combustíveis no porto de Maceió.
No portfólio, a empresa tem ainda um negócio de estocagem subterrânea de gás natural. A Origem Energia é a quarta maior produtora de gás natural do país, com 2 milhões de metros cúbicos por dia (m3 /dia), atrás da (38,4 milhões de m3 /dia), Shell (5,3 milhões de m3 /dia) e Eneva (5 milhões de m3 /dia). Em 2025, a receita líquida da Origem foi de R$ 1,78 bilhão. A empresa registrou lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de R$ 746,7 milhões e lucrou R$ 552,54 milhões. Agora, a Origem entra na geração de energia. As termelétricas a gás natural somam 380 megawatts (MW) de capacidade instalada e serão construídas no município de Pilar, na região metropolitana de Maceió, junto aos campos de gás da empresa, que fornecerão o combustível para as sete usinas sem passar por gasodutos, no conceito conhecido como “gas-to-wire”. A expectativa é de um consumo de até 2 milhões de m3 /dia de gás natural em um cenário de despacho contínuo. Do total de gás produzido pela Origem Energia, 75% estão destinados para atender contratos com as distribuidoras BahiaGás, Algás (AL) e ES Gás. Os 25% restantes estão negociados no mercado livre, com contatos firmados com empresas como Vale e CSN. “Esses contratos começam a vencer em 2028. A partir daí, a proporção e diversificação desse portfólio deve mudar significativamente nos próximos anos”, afirmou Coutinho, presidente e sócio-fundador da Origem. Quatro usinas vão iniciar operação comercial em 2028 e as outras três, em 2029. Quando estiverem prontas e forem solicitadas a gerar, as usinas poderão ser ligadas e desligadas em oito minutos, fornecendo flexibilidade ao sistema elétrico. Essa característica é importante porque o sistema atualmente precisa de usinas que podem ser acionadas rapidamente no horário de pico, momento crítico da operação da rede elétrica. Segundo Coutinho, a aposta no leilão de capacidade se deu porque o gás é fonte óbvia para prover a energia que o sistema elétrico precisa. Além disso, a flexibilidade exigida pelo sistema é garantida pela estocagem subterrânea de gás, pois permite que as usinas estejam prontas para serem ligadas. O executivo explicou que a maior parte dos cerca de 50 milhões de m3 /dia consumidos pelo país é associada ao petróleo, extraído dos campos do pré-sal, com “zero flexibilidade”. Essa condição significa que sem destinação o gás ou é reinjetado para aumentar a produção de petróleo ou o poço é fechado com perdas econômicas. “Costumamos dizer que a térmica é a bateria que o sistema elétrico precisa para a expansão das renováveis. No momento em que há produção e não há consumo, posso estocar [o gás] e trazer uma solução de flexibilidade que não existia”, disse Coutinho. A Origem pode investir em outras fontes, inclusive projetos de energia renovável. “A Origem é uma empresa de energia. A gente avalia todas as oportunidades”.
Fonte: Valor Econômico
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