O crescimento do mercado spot e a forte expansão das exportações dos Estados Unidos remodelaram a forma como o gás natural liquefeito (GNL) é comercializado no mundo. Um estudo recém-publicado pela União Internacional do Gás (IGU) mostra que o mercado global de GNL reduziu a sua dependência de preços indexados ao petróleo ao longo das últimas décadas e se tornou uma commodity precificada, em sua maior parte, na competição gás-gás. 52% do comércio de GNL se deu à base gás-gás em 2025, em comparação com apenas 14% em 2005. Importador de GNL, o Brasil segue o caminho. O estudo da IGU revela que a abertura do mercado interno tem direcionado os preços internos para uma competição crescente gás-gás. Apesar de a maior parte dos contratos de gás no mercado não-termelétrico serem indexados ao petróleo no Brasil, 2026 marca a estreia da indexação do preço do gás da Petrobras ao Henry Hub, o preço de referência do gás nos EUA. Segundo a IGU, o aumento da precificação gás-gás no Brasil está associado às importações de cargas spot de GNL – que abastecem, sobretudo, a demanda termelétrica do país.
As tendências do mercado
O estudo da IGU aponta três tendências definidoras que transformaram o mercado global de gás natural nas últimas duas décadas: a transição de contratos atrelados ao preço do petróleo para a competição entre preços de gás; uma mudança dos preços regulamentados para mecanismos baseados no mercado; e a convergência crescente dos preços globais do gás, interrompida apenas pela extrema volatilidade desencadeada por crises geopolíticas recentes. O relatório também destaca o rápido crescimento do mercado spot de GNL. Os volumes de cargas spot de GNL aumentaram de 63 bilhões de metros cúbicos em 2016 para 210 bilhões de metros cúbicos em 2025. Ao todo, o mercado de curto prazo respondeu, em 2025, por 40% do mercado total de GNL no mundo. O estudo conclui que os mercados globais de gás natural estão entrando em uma nova era, definida pelo aumento da precificação baseada no mercado, pela expansão da flexibilidade do GNL e pela intensificação do risco geopolítico, à medida que o mundo vivencia seu segundo grande choque nos preços do gás natural em apenas quatro anos. Os preços médios globais do gás no atacado atingiram US$ 5,31 por milhão de BTU em 2025, acima do ano anterior, mas significativamente abaixo do pico de US$ 9,45 por milhão de BTU em 2022.
GNL reduz gravidade das rupturas de mercado
A IGE destaca, ainda, como o aumento da flexibilidade do mercado ajudou a indústria global de gás natural a resistir à interrupção causada pela perda do fornecimento de gás russo por gasoduto para a Europa em 2022 e, mais recentemente, pelo fechamento do Estreito de Ormuz em 2026. O estudo cita que a expansão da infraestrutura de GNL, a maior interconectividade e a maior liquidez do mercado spot melhoraram significativamente a segurança energética global e reduziram a gravidade das interrupções no fornecimento. Apesar da volatilidade decorrente da guerra no Oriente Médio, a indústria global de gás entrou na crise atual em uma posição mais forte do que durante o choque energético de 2021-2022. Investimentos substanciais em infraestrutura de GNL, diversificação do fornecimento e acordos comerciais flexíveis para ajudar a conter a recente alta dos preços do gás natural foram os principais fatores que levaram a essa posição mais sólida.
Fonte: Eixos
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