O Brasil já conta com 20 plantas de biometano formalmente autorizadas junto à ANP, somando uma capacidade instalada de 1.331.401 m³/dia, de acordo com levantamento da ABiogás baseado em dados da agência. Segundo a associação, o setor de biometano registrou uma expansão de 5 vezes na sua capacidade instalada entre 2020 e 2025. Desde a aprovação da Lei do Combustível do Futuro, 12 novas plantas foram autorizadas, adicionando 714.240 m³/dia de capacidade ao país. Para a ABiogás, o biometano se consolida como um vetor estratégico para a descarbonização da economia brasileira, promovendo autonomia e segurança energética, com previsibilidade de preços e aproveitamento de resíduos. Atualmente, a infraestrutura nacional de produção do biocombustível divide-se entre 11 plantas de Resíduos Sólidos Urbanos (RSU) em aterros sanitários e 09 unidades voltadas ao tratamento de resíduos orgânicos agrossilvopastoris e comerciais. O pipeline do setor sinaliza que o ritmo de crescimento deve se intensificar no curto prazo. Existem atualmente 50 plantas em processo de autorização na ANP, que juntas somam mais 2.035.125 m³/dia de capacidade potencial de produção. O perfil dos novos projetos demonstra a força da interiorização e da diversificação de matérias-primas: são 24 projetos agroindustriais, 20 focados em RSU em aterros, 5 de codigestão (mistura de diferentes resíduos) e 1 com perfil não informado. Até 2030, a projeção geral indica um salto para cerca de 7 milhões de m³/dia e quase 200 plantas em todo o país.
A entidade acrescenta que o movimento acompanha a tendência de Estados líderes em transição energética, como São Paulo, que registrou uma alta de 235% na emissão de licenças ambientais para projetos de biogás e biometano entre 2024 e 2025, saltando de 26 para 87 licenças emitidas pela CETESB. “O debate energético mundial mudou de patamar e a transição energética passou a incorporar segurança energética, competitividade industrial e soberania nacional. Nesse cenário, o biometano ganha posição estratégica: com elevada equivalência ao gás natural, pode ser usado na infraestrutura existente, viabilizando uma transição mais eficiente, competitiva e previsível”, avalia a presidente-executiva da ABiogás, Josiani Napolitano. A aceleração dos investimentos privados, estimada pela associação em um potencial de mobilização de até R$ 348 bilhões e geração de cerca de 798 mil empregos no país, ganhou respaldo regulatório adicional com a instituição do Programa de Descarbonização do Setor de Gás Natural e de Incentivo ao Biometano. O arcabouço normativo se completa com a regulamentação do Certificado de Garantia de Origem do Biometano (CGOB). O mecanismo permite a separação física entre o lastro ambiental (o certificado) e a molécula de gás, inaugurando uma dinâmica inédita de monetização e precificação das externalidades positivas do biocombustível no Brasil. “A aprovação da Lei do Combustível do Futuro e a regulamentação do CGOB representam passos importantes para a consolidação de um mercado estruturado de gás renovável no Brasil, trazendo maior previsibilidade regulatória para investidores e consumidores”, ressalta a presidente da ABiogás. O mercado projeta que 2026 será marcado pelo início do cumprimento das metas obrigatórias de descarbonização pelos agentes do setor de gás. A expectativa do setor é pela emissão do primeiro Certificado de Garantia de Origem do Biometano (CGOB), passo indispensável para o início da contagem das obrigações legais e para a entrada em operação plena dos mecanismos previstos na Lei do Combustível do Futuro.
Fonte: EnergiaHoje
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