O gás natural e o biometano vêm ganhando espaço no debate sobre a transição energética no Brasil. As duas fontes são apontadas por empresas e especialistas como alternativas capazes de reduzir emissões em comparação a combustíveis fósseis mais poluentes, ao mesmo tempo em que mantêm competitividade de custos e segurança no abastecimento. No transporte, por exemplo, o biometano, que é um gás de origem 100% renovável, oriundo de resíduos urbanos, pode substituir o diesel em frotas e reduzir em até 87% as emissões de gases de efeito estufa. Já o gás natural é associado a uma redução de cerca de até 25% nas emissões de CO₂ e 90% de materiais particulados. “O gás natural e biometano ocupam um papel fundamental na matriz energética brasileira como soluções complementares, combinando flexibilidade, segurança energética e uma economia de baixo carbono.”, afirma Demétrio Magalhães, CEO da Edge. “O gás natural abre o caminho para o biometano. O blend entre os dois, como já ocorre entre o etanol e a gasolina, é uma solução imediata para promover uma descarbonização rápida e eficiente, ganhando a escala que é necessária para destravarmos sua competitividade e alcance”.
Criada no início de 2024, a Edge é uma empresa da Compass, que faz parte do Grupo Cosan, e hoje se destaca como uma das principais desenvolvedoras do mercado livre de gás no Brasil. “Hoje, somos uma empresa que integra soluções de gás, desde a captação e oferta de molécula de diferentes origens, inclusive internacionais, passando pela oferta estruturada de GNL para o mercado off-grid por meio do TRSP, nosso terminal de regaseificação em Santos, São Paulo, que trouxe para o Brasil uma capacidade adicional de suprimento de 14 milhões de m3 por dia, atendendo às indústrias fora da malha de gasodutos, adicionando flexibilidade ao sistema e conectando o Brasil ao mercado global de gás natural”, afirma Demétrio. O executivo destaca que o Brasil tem um grande espaço para ampliar o uso de gás natural no transporte, mas um dos grandes desafios é a infraestrutura. A malha de gasodutos ainda é limitada e concentra o acesso a algumas regiões do país. Para impulsionar uma solução de atender à demanda, a Edge foi pioneira na criação de um novo modelo de fornecimento de gás, o GNL Off-grid, que contou com o desenvolvimento de uma solução logística multimodal para o deslocamento seguro de caminhões criogênicos, que permite que indústrias localizadas fora da malha de gasodutos possam acessar essa fonte energética, transportando o gás liquefeito em uma frota própria de caminhões. Em outros mercados, mais avançados na adoção de soluções off-grid, o GNL se consolidou como uma fonte energética competitiva. Na China, por exemplo, cerca de 10% da frota de caminhões já é movida a gás. Além de ter um potencial de redução das emissões, o combustível também pode trazer ganhos de eficiência e custos operacionais para os operadores logísticos. “O nosso grande objetivo é desenvolver o mercado de gás no Brasil, tornando a indústria e o transporte mais competitivos e sustentáveis por meio de soluções de suprimento seguras, flexíveis e eficientes”.
Fonte: Bloomberg Línea
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