A Gasmig vai investir mais de R$ 1 bilhão para levar gás natural e biometano ao Triângulo Mineiro, interligando os municípios de Uberaba, Uberlândia, Araxá e Indianópolis. O projeto prevê a injeção inicial de 250 mil m3 de gás por dia na rede, abastecendo indústrias, comércios, frotas e o mercado urbano da região, segundo o gerente Comercial do Segmento Automotivo da distribuidora, Welder Souza.
“É um projeto audacioso, a maior rede isolada da América Latina. A nossa ideia é interligar os supridores, principalmente da CMAA [Companhia Mineira de Açúcar e Álcool], através de uma parceria com a Mitsui Gás”, afirmou Souza.
O gás que abastecerá a região virá do biometano produzido no próprio Triângulo Mineiro, a partir de resíduos da agroindústria, com o gás natural atuando como suporte firme para garantir a continuidade do fornecimento.
“É o desenvolvimento chegando à cidade com o diferencial da economia local. Tudo é construído através da energia do gás, do biometano sendo produzido no próprio Triângulo Mineiro”, destacou.
Hub de soluções integra energia e mobilidade
Além da infraestrutura de gás, a Gasmig oferece um “hub de soluções” que integra o fornecimento de gás veicular com energia elétrica renovável, por meio da controladora Cemig. O cliente pode contratar energia livre da Cemig com desconto de até 35% para abastecer os compressores dos postos, enquanto as lanchonetes contam com energia solar da Cemig SIM.
“A gente consegue descarbonizar não só a operação de transporte, mas toda a cadeia”, explicou Souza.
O executivo citou como exemplo o projeto-piloto lançado na Semana do Meio Ambiente, no qual a transportadora Logás recebeu o certificado de energia renovável I-REC, e o posto Sada recebeu o selo Posto GNV Sustentável.
“Futuro não é elétrico, é eclético”
Souza destacou que o gás veicular — GNV e biometano — já é uma solução técnica e economicamente viável para frotas pesadas, com respaldo de montadoras como Scania, Iveco, Volare e Marcopolo.
Ele citou a aquisição de 501 ônibus a gás por Goiânia como exemplo de escala que pode ser replicada no Triângulo Mineiro.
“Quando você faz o estudo de viabilidade, o cálculo de TCO [Custo Total de Propriedade] do veículo a gás já fica mais barato que o diesel”, afirmou. “E quando você compara com o elétrico, os resultados são ainda melhores, porque a estrutura de carga do veículo elétrico é muito cara”.
O gerente também defendeu o conceito de uma matriz energética plural: “o futuro não é elétrico, é eclético”, defendeu. “Cada local tem sua vocação. E o biometano atende os três pilares da sustentabilidade: é economicamente viável, ambientalmente correto e socialmente justo”, concluiu.
Biometano e plano de gasodutos impulsionam Triângulo Mineiro
A Gasmig assinou seu primeiro contrato de longo prazo para compra de biometano com a GeoMit (Mitsui e Geo Biogás), resultado de chamada pública de maio.
O fornecimento inicial previsto é de 50 mil m³/dia a partir da Usina Vale do Tijuco, operada pela CMAA em Uberaba (MG). A meta é contratar os 250 mil m³/dia com diferentes supridores para viabilizar a expansão da rede na região.
O Triângulo Mineiro também está no PNIIGB (Plano Nacional Integrado das Infraestruturas de Gás Natural e Biometano), com um gasoduto de 260 km previsto entre Iacanga/SP (no Gasbol) e Uberaba/MG, em projeto de R$ 3,1 bilhões.
Fonte: Eixos
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