A Compagas promoveu um encontro setorial para debater e analisar o futuro da mobilidade sustentável, reunindo representantes dos setores de gás natural e biometano, instituições financeiras, fabricantes de veículos, empresas de infraestrutura e outros atores do setor para debater os caminhos da descarbonização do transporte pesado no Brasil.
Os participantes discutiram temas como produção e oferta de biometano, infraestrutura de abastecimento, financiamento, certificação, políticas públicas e soluções tecnológicas já disponíveis para o mercado.
Na abertura do evento, o CEO da Compagas, Eudis Furtado, destacou que o desenvolvimento do transporte sustentável depende da atuação conjunta de todos os agentes da cadeia. “Esse é um mercado que a gente está desbravando. Não apenas a Compagas, mas todos que trabalham para fazer esse mercado acontecer”, afirma. Segundo ele, fabricantes de veículos, transportadoras, embarcadores, produtores de combustível, instituições financeiras, fornecedores de infraestrutura e o poder público têm papéis complementares para impulsionar a expansão do setor.
O painel dedicado ao transporte sustentável trouxe especialistas ligados ao mercado financeiro, de certificados e representante do governo do Paraná para evidenciar essa complementaridade de soluções para a expansão do segmento. Como mensagem central, teve como objetivo reforçar que o gás natural é uma solução disponível, capaz de promover reduções imediatas de emissões no transporte pesado, utilizando uma tecnologia já consolidada e pronta para aplicação em larga escala. Mais do que isso, ele cria as condições para um passo ainda mais importante da transição energética: a ampliação do uso do biometano.
Isso porque gás natural e biometano não competem entre si. Pelo contrário. Eles compartilham a mesma infraestrutura de distribuição, abastecimento e utilização, permitindo que, à medida que a oferta de biometano cresce, uma molécula cada vez mais sustentável seja incorporada à matriz energética sem a necessidade de substituir toda a infraestrutura construída.
Por isso, um dos temas centrais do painel foi o avanço do Certificado de Garantia de Origem do Biometano (CGOB). A ferramenta foi apresentada pela Adriana Berti, Head de Produto e Desenvolvimento da BlockC, como um mecanismo de rastreabilidade da origem renovável do combustível e um importante instrumento para fortalecer o mercado. O debate também destacou que o certificado poderá contribuir para operações financeiras e para o desenvolvimento do mercado brasileiro de carbono, que passa por um momento de regulamentação e consolidação. Os participantes defenderam a realização de projetos-piloto para acelerar o amadurecimento do setor, permitindo o aprimoramento da governança e das regras que irão sustentar esse novo mercado.
Outro tema abordado foi o acesso ao crédito para projetos de descarbonização.
A gerente de negócios do BRDE no Paraná, Thais Grandi, apresentou alternativas de financiamento para empresas interessadas em investir em soluções sustentáveis, destacando que cada projeto é analisado individualmente para identificar a linha de crédito mais adequada. Ao longo do painel com tema central em sustentabilidade, especialistas reforçaram que o biometano deixou de ser apenas uma tecnologia em desenvolvimento e já integra a realidade do setor energético brasileiro.
Para o representante do governo do Paraná, Thiago Olinda, a infraestrutura existente da rede de gás natural, a regulamentação em evolução e o crescimento da oferta demonstram que o combustível vive agora uma fase de expansão, impulsionada por novas políticas públicas e pelo aumento da demanda por soluções de menor impacto ambiental. Ele também destacou o potencial do Paraná para ampliar a produção de biometano a partir de resíduos urbanos e agropecuários, contribuindo para a redução das emissões do transporte e para o aproveitamento energético desses resíduos.
Soluções para diferentes aplicações
O evento reuniu fabricantes e fornecedores que apresentaram tecnologias voltadas ao transporte movido a gás natural e biometano.
Scania, Iveco, Agrale, Gás Futuro, MWM, Green Cargo, Convergas, Sinergás e outras empresas apresentaram veículos, motores, compressores, soluções logísticas e tecnologias desenvolvidas para diferentes aplicações, desde caminhões leves até operações de transporte pesado, além de iniciativas para retrofit de veículos e novas plataformas movidas a gás.
Também foram apresentados projetos de infraestrutura para abastecimento, incluindo postos de alta vazão, sistemas próprios para frotas e soluções com gás natural comprimido (GNC), gás natural liquefeito (GNL) e biometano.
Para Eudis, a transição energética passa pela convivência entre diferentes fontes de energia. “Nós não acreditamos que exista energia vencedora e energia perdedora. O que existe é uma matriz energética diversificada, em que cada fonte tem o seu papel”, explica. Ele ressaltou que, no Brasil, o gás natural e o biometano representam uma oportunidade para ampliar a competitividade do transporte pesado e acelerar a descarbonização. “É um combustível que, conforme a operação, entrega redução de custos aliada a menor emissões de CO₂, mostrando que competitividade e sustentabilidade podem caminhar juntas”, conclui.
Cases mostram avanço da infraestrutura
A Cetric, empresa especializada na gestão de resíduos e produção de biometano, apresentou suas experiências na implantação de plantas de produção e de infraestrutura de abastecimento para frotas movidas a gás. Hoje a empresa possui 46 caminhões movidos a gás e avança com a implantação da operação conectada à rede de distribuição de gás canalizado da Compagas, em Araucária. Será uma operação que unifica a rede de gás natural à produção de biometano para sustentar o abastecimento de caminhões da operadora.
O evento também contou com a assinatura de mais um contrato de abastecimento de gás com a empresa Cia Verde. Serão mais 20 caminhões a gás natural/biometano que serão abastecidos no ponto logístico da empresa.
Os cases evidenciaram o avanço da infraestrutura voltada ao transporte sustentável, com projetos de implantação de corredores de abastecimento, integração entre gás natural e biometano e expansão da rede para atender operações logísticas em diferentes regiões do País.
Fonte: Compagas / Comunicação
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