Em artigo publicado pela agência eixos, o CEO da Abraget, Xisto Vieira Filho, afirma que
A sanção do Redata marca um novo momento para o país, com regras fiscais que devem apoiar a construção de novas estruturas de processamento de dados, algo que é estratégico para qualquer nação com visão de futuro. Mas, assim como outras infraestruturas críticas, os data centers precisam de energia segura e confiável. E, neste ponto, é preciso encarar as demandas do sistema elétrico com pragmatismo técnico, afastando-se de visões dogmáticas e sem considerar pressões externas que careçam de embasamento adequado. Um data center de grande porte exige suprimento ininterrupto de energia de alta densidade 24 horas por dia, 7 dias por semana. Cargas dessa magnitude não toleram oscilações de frequência ou tensão. O processamento de dados em nuvem e o treinamento de modelos complexos de inteligência artificial não podem ser paralisados ou desacelerados quando o vento cessa ou quando a noite cai. Uma carga dessa natureza exige um nível de confiabilidade acima de 99%, requerendo, portanto, a presença de fontes firmes de energia. A aprovação do Redata pelo Senado trouxe a flexibilização necessária ao estabelecer o uso de fontes de baixa emissão, abrindo um espaço legítimo para o gás natural no suporte a essas novas demandas.
O MME, por exemplo, já sinalizou que a regulamentação precisa contemplar múltiplas fontes de geração para dar viabilidade aos empreendimentos, mas as notícias que vêm de Brasília indicam que outras áreas não estão atentas o suficiente para os problemas que poderão ocorrer caso sejam banidas as fontes movidas a gás natural do suprimento a este tipo de demanda. Tal restrição traz um equívoco conceitual e um risco econômico. As fontes renováveis possuem uma limitação estrutural intrínseca, que é sua intermitência. Sem a presença de geração firme de base para regular o sistema, a conexão de gigawatts adicionais em cargas concentradas pode colocar riscos ao Sistema Interligado Nacional (SIN), uma vez que o encargo dessa confiabilidade especificamente recairá no próprio sistema interligado. A aposta em baterias para cobrir esse problema esbarra em limitações de custos, de tecnologias específicas e de maturidade comercial. É nesse cenário que o gás natural se afirma como o vetor indispensável para a transição. Tratando-se de uma fonte de baixa emissão, o gás provê a energia firme e despachável exigida pelos data centers. Países que lideram a corrida dos data centers, como os Estados Unidos, utilizam o gás natural como pilar central de segurança elétrica para viabilizar seus complexos de tecnologia. Impor sobrecustos, condicionalidades punitivas ou exigências de compensação ambiental de carbono trará um efeito adverso. O gás natural brasileiro se tornará menos competitivo, e os investimentos globais serão muito prejudicados em nosso país, e terminarão migrando para países como os Estados Unidos ou a Argentina, onde o suprimento firme a gás é garantido sem amarras regulatórias. O Congresso Nacional agiu com maturidade ao reconhecer a importância das fontes de baixa emissão no Redata. O gás natural não rivaliza com as renováveis; pelo contrário, ele provê a segurança operacional necessária para que novas cargas se instalem no país, expandindo, inclusive, o mercado consumidor para toda a matriz. É preciso que o governo federal, respeitando a decisão dos parlamentares, siga pelo mesmo caminho.
Fonte: Eixos – Xisto Vieira Filho
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