Segundo reportagem do Uol, assinada pela jornalista Monica Scaramuzzo, a Cosan, do empresário Rubens Ometto Silveira Mello, decidiu negociar a venda de uma participação minoritária da empresa de gás Compass para um investidor estrangeiro. As conversas estão avançadas, segundo uma pessoa próxima ao tema. A expectativa é vender uma fatia da ordem de 20% da empresa de gás, que inclui ativos importantes como a Comgás, empresa de gás canalizado que atua em São Paulo. Há meses, o grupo de Rubens Ometto Silveira Mello estava tentando negociar uma fatia da Rumo, que tem importantes malhas ferroviárias que atendem o agronegócio. A expectativa era vender 15% da Rumo — a Cosan tem 20% do negócio total. Segundo a matéria, as imposições impostas por BTG e Cosan teriam desanimado os potenciais compradores. O banco de investimento de André Esteves é sócio da Cosan desde o fim do ano passado, após um aporte de R$ 10 bilhões feito para reduzir o endividamento do grupo de Ometto. As conversas para venda da participação da Rumo chegaram a atrair importantes grupos do agronegócio, como a Bunge e a chinesa Cofco. Duas fontes ouvidas pelo UOL afirmaram que as conversas esfriaram. Por conta disso, o grupo decidiu concentrar na Compass.
A Compass é considerada a “joia da coroa” do conglomerado de Rubens Ometto Silveira Mello. A empresa é avaliada no mercado em torno de R$ 20 bilhões. Uma pessoa a par do assunto afirmou que um grupo estratégico estrangeiro estaria avaliando fazer um aporte privado, operação conhecida no mercado como “private placement”. Se a venda da fatia se concretizar, o grupo conseguiria levantar, no valor de hoje, cerca de R$ 4 bilhões, mais um “prêmio” a ser discutido pela empresa. Para efeitos de comparação, a Rumo hoje é avaliada no mercado em R$ 34 bilhões. A Cosan passa por um processo de reestruturação financeira. Uma das investidas da companhia, a Raízen, enfrenta a maior recuperação extrajudicial da história, com dívidas da ordem de R$ 65 bilhões. A Raízen é uma joint venture entre Cosan e Shell, cada uma com 50% de participação. Com o processo de reestruturação, a Cosan terá sua participação diluída e a multinacional dividirá a companhia com os credores do negócio. O empresário, que é um dos maiores doadores de campanhas eleitorais, colocou vários ativos à venda nos últimos meses. Desde então, o grupo se desfez de cerca de R$ 15 bilhões em participações de empresas, incluindo operações da Raízen e terras agrícolas, além de uma refinaria na Argentina.
Um dos passos considerados arriscados pelo empresário foi a compra de uma fatia de 5% na mineradora Vale no fim de 2022. À época, o grupo fez um alto investimento que custou pesado a Ometto. Em janeiro de 2025, a empresa vendeu sua fatia na B3 por R$ 9 bilhões. Em seu curto período como investidor da Vale, o empresário confrontou o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, ao criticar, ao lado de outros acionistas da mineradora, a tentativa do presidente de indicar o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega para o conselho da produtora de minério.
Fonte: Uol
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