O volume movimentado pelas indústrias no mercado livre de gás natural atingiu a marca de 19,8 milhões de m³/dia em junho de 2026, um crescimento de 48,8% em relação a igual mês de 2025, de acordo com levantamento divulgado pela Abegás. Maior centro de consumo do país, São Paulo representa 37% do mercado livre de gás no setor industrial, com 7,3 milhões de m³/dia em junho deste ano. Veja, a seguir, o ranking das dez concessões estaduais com os maiores volumes movimentados pelas indústrias no ambiente livre: Comgás (SP): 6,354 milhões de m³/dia; Gás do Pará (PA): 1,928 milhão de m³/dia; Bahiagás (BA): 1,915 milhão de m³/dia; ES Gás (ES): 1,831 milhão de m³/dia; Sulgás (RS): 1,731 milhão de m³/dia; Gasmig (MG): 1,525 milhão de m³/dia; CEG Rio (RJ): 1,162 milhão de m³/dia; SCGÁs (SC): 1,019 milhão de m³/dia; Naturgy – Gás Natural SPS (SP): 686 mil m³/dia; MSGÁS (MS): 437 mil m³/dia. O mercado livre de gás já é maior que o mercado cativo, onde a indústria movimentou, em junho, 12 milhões de m³/dia.
Para o diretor executivo da Abegás, Marcelo Mendonça, o mercado livre tem impulsionado o consumo industrial, mas ainda é preciso superar as assimetrias de informação no segmento. A Abegás defende maior transparência sobre os preços praticados no mercado livre e pede a publicidade integral dos contratos de suprimento, a exemplo da transparência já existente no mercado cativo — proposta que encontra resistência nos demais elos da cadeia, entre comercializadores e consumidores industriais, por questões concorrenciais. “Atribuir a gestão desse processo e o acompanhamento dessa precificação a uma câmara de comercialização como a CCEE será o passo decisivo para dar a governança e a segurança que o mercado precisa para crescer”, disse Mendonça, em referência à Câmara de Comercialização de Energia Elétrica. A publicação dos contratos está na agenda de 13 propostas que a Abegás lançou em setembro para os candidatos à Presidência e ao Congresso.
Térmicas puxam consumo de gás em 2026
De acordo com o levantamento da Abegás, o volume geral movimentado no mercado livre de gás totalizou 34,6 milhões de m³/dia em junho de 2026, uma alta de 36,7% ante os 25,3 milhões em junho de 2025. Além das indústrias, as termelétricas são outras consumidoras relevantes no ambiente livre. Em junho, as usinas consumiram 12,8 milhões de m³/dia no mercado livre, enquanto a cogeração outros 492 mil m³/dia. O setor termelétrico, aliás, tem puxado o aumento do consumo de gás em 2026. Os dados da Abegás mostram que o volume movimentado pelas distribuidoras totalizou 57,5 milhões de m³/dia na média do primeiro semestre — 15,4% acima dos 49,9 milhões de m³/dia registrados em igual período de 2025. As termelétricas ampliaram em 49% os seus volumes. “A alta na demanda elétrica é um indicativo de como o gás natural é relevante para a segurança energética brasileira”, afirmou Mendonça, em nota. Veja a seguir a média de consumo de gás por segmento no primeiro semestre: Indústria: 30,8 milhões de m³/dia (+4,5% no comparativo com 1º semestre/2025); Geração elétrica: 17 milhões de m³/dia (+49% no comparativo anual); Postos de GNV: 3,8 milhões de m³/dia (−7,4%); Residencial: 1,5 milhão de m³/dia (+2,3%); Cogeração: 1,2 milhão de m³/dia (−5,3%); Comercial: 881 mil m³/dia (estável); Matéria-prima: 556,3 mil m³/dia (+8%).
Brasil supera os 5 milhões de consumidores
Em junho, as distribuidoras alcançaram a marca de 5,1 milhões de clientes conectados, ante 4,8 milhões um ano antes. A rede de distribuição passou de 45,8 mil km para 47,4 mil km em um ano; e o número de municípios atendidos, de 510 para 520. Para o diretor Econômico-Regulatório da Abegás, Marcos Lopomo, a expansão das redes é essencial para massificar o acesso ao gás natural e ao biometano. “Nesse processo, a atuação das agências reguladoras estaduais, com autonomia e independência — conforme estabelece a Constituição Federal — é fundamental para assegurar a segurança jurídica e a estabilidade regulatória necessárias para atrair novos investimentos”, disse Lopomo. A Abegás faz oposição à proposta da ANP para definição de critérios objetivos de diâmetro, pressão e extensão para classificação de gasodutos de transporte. Em 2025, a associação judicializou o caso no STF. Excluir o inciso VI do artigo 7º da Lei do Gás de 2021 (lei 14.134/2021), para preservar o direito constitucional dos estados na regulação da infraestrutura de distribuição, é um dos pleitos da agenda prioritária da Abegás para o próximo governo. Dentre outros pleitos, a Abegás também defende ampliar a oferta, por meio da redução da reinjeção nos campos em produção; da aceleração de novos campos, como Sergipe Águas Profundas. Marcelo Mendonça também cobra a conclusão da revisão tarifária do transporte de gás “sem duplicidade de cobrança por ativos já remunerados” e ganhos de competitividade no escoamento, no processamento e no transporte. A ANP espera concluir até o fim de novembro a revisão das tarifas da Transportadora Associada de Gás (TAG) e da Nova Transportadora do Sudeste (NTS), que ainda tem pendente recurso da Associação de Empresas de Transporte de Gás Natural por Gasoduto (ATGás). A Abegás pede ainda que a regulamentação do Redata, regime fiscal para data centers criado pela lei 15.504/2026 (PL 278), inclua projetos a gás natural sem restrições. A entidade também pede políticas públicas para frotas pesadas movidas a gás. O espaço do gás no Redata opôs Fazenda e Ministério de Minas e Energia (MME) na sanção da lei, em setembro.
Fonte: Eixos
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