Os preços do petróleo fecharam em forte queda nesta segunda-feira (30), pressionados pelas persistentes preocupações com a guerra comercial entre Estados Unidos e China, que ameaça reduzir a demanda global, a retomada da produção da estatal saudita Aramco — atingida por um ataque no último dia 14 —, e pode levar a uma escalada das tensões no Oriente Médio. No domingo (29), em entrevista à CBS, o príncipe-herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, defendeu uma solução política para lidar com o governo iraniano, a quem acusa, junto com os EUA, de ser o responsável pelo ataque de duas semanas atrás à petroleira saudita.
Os contratos para novembro do Brent, a referência global, fecharam a sessão desta segunda (30) em queda de 1,82%, a US$ 60,78 o barril, na ICE, em Londres, fechando setembro em um valor já bastante próximo aos US$ 60,22 do dia anterior ao ataque à Saudi Aramco, isso depois de ter ultrapassado US$ 70 no primeiro dia útil pós-ataque. Já os contratos futuros para novembro do WTI, a referência americana, encerraram a jornada desta segunda em queda ainda mais forte, de 3,29%, a US$ 54,07 o barril, na Bolsa de Mercadorias de Nova York (Nymex). O valor já está abaixo dos US$ 54,85 do dia 13 de setembro, anterior ao ataque na Arábia Saudita.
Considerando todo o mês de setembro, o Brent fecha o mês em alta próxima a 2,6% e o WTI em queda perto de 1,04%.
Uma das notícias que mais acentuaram a queda dos preços da commodity neste último dia do mês foi o anúncio da Saudi Aramco de que a sua capacidade de produção voltou aos níveis registrados antes do ataque contra a sua maior instalação de processamento de petróleo, ocorrido em 14 de setembro, disse o diretor-presidente do braço comercial da companhia,
Ibrahim al-Buainain. Na semana passada, autoridades sauditas disseram que a produção da companhia havia retornado a 9,8 milhões de barris por dia, mesmo nível antes dos ataques.
Com a retomada da Aramco garantida e a sinalização de que a Arábia Saudita prefere uma solução política para lidar com o Irã, ao invés de um conflito militar, a expectativa é que o
principal assunto que influenciará o preço do petróleo nos próximos dias será a rodada de negociação comercial entre EUA e China, marcada para os dias 10 e 11 de outubro. “A maior ameaça à demanda continua sendo a guerra comercial”, disseram, em nota, os analistas da consultoria em assuntos de energia Stratas Advisors.
Fonte: Valor Online
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