Os violentos distúrbios desde a eleição em 20 de outubro levantam preocupação com a produção de gás da Bolívia, que já vem caindo. Apesar de os confrontos se concentrarem nas cidades, empresas que atuam na produção no interior do país enviaram equipes de segurança e retiraram funcionários da Bolívia.
A Petrobras por ora não teve a produção afetada, porque tem a sua operação em Tarija, no sul da Bolívia, longe de centros urbanos onde se concentram os protestos.
Segundo fontes na Bolívia a par do tema, no entanto, a empresa enviou segurança corporativa para auxiliar funcionários que tinham dificuldade de chegar ao local de trabalho e fazer a troca de turno. Alguns funcionários da empresa tiveram de retornar temporariamente ao Brasil por precaução.
Ainda que a produção se mantenha, a prospecção de novo poços por empresas estrangeiras parou em meio à crise política. Royal Dutch Shell, Total e Repsol interromperam ou reduziram drasticamente a perfuração de poços de exploração, disse Alvaro Rios, ex-ministro de hidrocarbonetos e diretor da consultoria Gas Energy Latin America, à agência Bloomberg. Não há evidências de que a produção no longo prazo.
No último ano, a produção de gás da Bolívia caiu cerca de 18%, para 46 milhões de m3 /dia. A queda reflete menores volumes de exportação para o Brasil e a Argentina, principais compradores do gás boliviano, afirma Pamela Ramos, da consultoria Oxford Economics. “Acreditamos que a capacidade de a Bolívia reverter esse declínio é muito limitada, mesmo se a demanda de gás natural da Argentina e do Brasil se recuperar”, diz.
Somente neste ano, as exportações de gás da Bolívia caíram 30%, diz Luis Carlos Jemio, do Instituto de Estudos Avançados em Desenvolvimento.
Fonte: Valor Econômico
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