A EPE registrou, no primeiro trimestre deste ano, um recorde no consumo residencial para o período, com um crescimento de 1,3% em relação ao mesmo período do ano passado. Em contrapartida, o consumo industrial apresentou, no período, uma retração de 1,4% mesmo em um cenário de expansão da atividade da indústria, acumulando três trimestres consecutivos de queda. O consumo nacional de energia elétrica no trimestre permaneceu relativamente estável, com uma redução de 0,3% em relação ao mesmo período de 2025. Já a classe comercial exibiu um aumento de 0,7% no consumo, revertendo a trajetória de retração observada nos três trimestres anteriores. De acordo com a EPE, o crescimento do uso de eletricidade pela classe residencial está em linha com o aumento do consumo das famílias, de +1,7%. A instituição cita outros indicadores que podem ter influenciado o crescimento do consumo dessa classe e que estão relacionados ao mercado de trabalho: diminuição da taxa de desocupação de 7,0% para 6,1%; aumento de 5,5% dos rendimentos médios reais; e elevação da ordem de 1,21 milhão nas contratações quando se compara o estoque de março de 2026 com o mesmo mês do ano anterior.
Já a redução do consumo industrial representa um contraponto em relação à elevação observada na atividade da indústria. Segundo os dados da PIM/IBGE, o índice da indústria geral cresceu cerca de 1,4%, impulsionada pelo crescimento da indústria extrativa (+8,8%). A indústria da transformação se manteve estável. Entre os segmentos da transformação, a fabricação de biocombustíveis (+25,1%), a produção de conservas de frutas, legumes e outros vegetais (+22,6%) e a fabricação de lâmpadas e outros equipamentos de iluminação (+22,6%) foram as atividades que apresentaram as maiores taxas de expansão. Considerando-se o consumo total, o desempenho ocorreu em um contexto de crescimento de 1,8% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro na comparação com o primeiro trimestre de 2025. Sob a ótica da oferta, destacaram-se os setores de serviços (+2,1%), indústria (+1,6%) e agropecuária (+0,7%). Pelo lado da demanda, as exportações apresentaram o maior crescimento (+7,4%), acompanhadas pelo aumento do consumo do governo (+2,8%) e das famílias (+1,7%). Por outro lado, a formação bruta de capital fixo registrou retração de 1,4% no período.
No recorte por ambiente de contratação, o mercado livre de energia elétrica (ACL) registrou crescimento de 2,8% no consumo, alcançando participação de 44,1% no consumo nacional. O mercado regulado (ACR), por sua vez, respondeu por 55,9% do consumo total e apresentou retração de 2,6% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. O resultado reflete, entre outros fatores, a continuidade da migração de consumidores para o ambiente livre, que vem alterando gradualmente o perfil do mercado brasileiro de eletricidade.
Fonte: EnergiaHoje
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