O diretor-geral da ANP, Décio Oddone, anunciou que vai antecipar o fim de seu mandato, que se encerraria em dezembro de 2020. Ele permanecerá no cargo até a aprovação de um substituto.
Em carta enviada ao presidente Jair Bolsonaro e ao ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, Oddone afirma que já cumpriu a sua missão à frente do órgão regulador.
“O processo de grandes mudanças no setor, do qual participei com afinco, encerrou-se com os últimos leilões e a identificação das ações necessárias para eliminar as restrições regulatórias e estimular a competição nos setores de abastecimento, de distribuição e revenda de combustíveis automotivos e de aviação, de gás de cozinha e de gás natural. Com isso, cumpri a missão assumida em 2016: contribuir com honestidade, transparência e espírito público para o desenvolvimento da maior transformação já produzida no setor de petróleo e gás no Brasil”, afirmou, na carta, enviada à imprensa.
No documento, Oddone destaca que ‘uma nova fase se inicia” na regulação do setor e que acredita que este é o momento propício para definição de uma nova diretoria.
“Como o tempo dos mandatos nem sempre casa com os ciclos de mudança, acredito que seja hora de iniciar o processo de composição da diretoria colegiada que deverá aprovar as alterações regulatórias que vão sustentar as transformações que começamos a construir. Diferentes desafios demandam profissionais com características distintas”, comentou, na nota.
Ele lembra que em 2019, quando se iniciou o governo Bolsonaro, não houve alterações na composição da diretoria colegiada da ANP, mas que três novos diretores deverão ser nomeados em 2020.
“Assim, decidi antecipar o fim do meu mandato, que iria até dezembro, permanecendo ainda no cargo o tempo suficiente para a aprovação do meu substituto. Dessa forma a primeira posição a ser indicada passa a ser a de diretor geral’, disse. “Com o encaminhamento das grandes transformações no setor, derivadas de decisões de política energética, e a mudança do foco das ações para o ambiente regulatório, creio que essa é forma pela qual melhor posso contribuir para a consolidação do processo por que passamos, projeto no qual acredito e ao qual dediquei esses últimos anos”, complementou.
Oddone destacou o que considera ser os principais avanços na regulação do setor desde 2016, quando assumiu o seu mandato, como a execução do calendário plurianual de leilões; a oferta permanente; regulamentação do biometano; a transparência na divulgação dos preços da gasolina e do diesel; a regulação da qualidade da gasolina; a transparência das reuniões de diretoria, que passaram a ser transmitidas ao vivo.
“A indústria do petróleo, gás e biocombustíveis no Brasil vive um momento único. Em 2016, quando assumi a diretoria-geral da ANP, o setor atravessava sua maior crise. A atividade de exploração e produção demandava novas regras. Os segmentos de abastecimento e gás natural, vinte anos após o fim do monopólio, seguiam concentrados. A área de biocombustíveis vinha de momentos difíceis. Os desafios eram imensos. Mais de três anos depois podemos celebrar o êxito das medidas adotadas sob a orientação do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE)”, afirmou. “Nunca pertenci a qualquer grupo ou contei com padrinho político.
E sempre acreditei que um cargo público só deve ser exercido enquanto a missão a ele associada esteja por ser cumprida”, completou.
Fonte: Valor Online
Related Posts
ANP: Diretor pede vistas e adia decisão sobre corte na remuneração da NTS e TAG
O diretor interino da ANP, Júlio Nishida, pediu vistas do pedido de reconsideração apresentado pela Associação de Empresas de Transporte de Gás Natural por Gasoduto (ATGás), com efeito suspensivo, sobre o...
ANP: Diretor pede vista de recurso da ATGás na revisão tarifária
O diretor interino da ANP, Julio Nishida, pediu vista do processo que trata do pedido de reconsideração apresentado pela ATGás (Associação de Empresas de Transporte de Gás Natural por Gasoduto) dentro da...

