A Excelerate Energy está completando um mês à frente das operações do Terminal de Gás Natural Liquefeito da Bahia, o primeiro arrendado pela Petrobras para a iniciativa privada, e já tem planos decrescer no País, seja por meio de novos terminais de GNL, seja pela distribuição do produto, um complemento necessário nesses tempos de crise hídrica e da expansão do uso de gás natural no País, informa a vice-presidente da América Latina da multinacional, Gabriela Aguilar.
“Concluído um mês, estamos muito felizes, estamos regaseificando quase 10 milhões de metros cúbicos por dia e estamos fechando outros contratos com empresas distribuidoras e indústrias. São todos novos clientes, não temos clientes da Petrobras, é todo o nosso esforço”, afirmou Gabriela ao Broadcast.
Para a executiva, que também tem contrato de afretamento com a Petrobras para a FRSU Experience, instalada no terminal da Baía da Guanabara, no Rio de Janeiro, os dois últimos anos foram “incríveis” para a Excelerate no Brasil, devido ao aumento de demanda e as perspectivas, frente à Nova Lei do Gás, que abre um leque de oportunidades que aos poucos serão desenvolvidas.
“Temos interesse em arrendar outros terminais e temos projetos de terminais próprios, que ainda não posso antecipar, mas temos compromisso de investimento de longo prazo no Brasil. O terminal da Bahia é só um começo”, afirmou, ressaltando que a empresa já estuda a localização de um novo terminal, que será anunciado este ano.
Estabilidade
Na Baía da Guanabara, a Excelerate mantém o navio com maior capacidade de regaseificação do mundo, de 30 milhões de metros cúbicos diários,o mesmo volume importado da Bolívia, e próximo da produção de gás natural doPaís, hoje entre 40 e 50 milhões de metros cúbicos por dia. Construído na Coréia do Sul, o navio Experience tem capacidade para armazenar um volume de GNL equivalente a 104 milhões de m3 de gás natural.
“Esse navio chegou na mesma semana da Copa do Mundo (2014), para fornecer estabilidade ao sistema elétrico brasileiro para que o Brasil não tivesse falta de energia”, destacou Gabriela, que durante a crise hídrica viu a demanda pelo GNL crescer para garantir o funcionamento das térmicas.
Ela explica que o GNL não é um concorrente do gás natural – cuja produção no Brasil tende a crescer expressivamente com os campos do pré-sal -, mas funciona como um complemento, e, portanto, terá seu espaço no crescimento da economia brasileira, principalmente com as mudanças climáticas afetando a principal fonte de energia no País, as hidrelétricas. De acordo com Gabriela, sem o GNL o Brasil não teria atravessado a pior crise hídrica nos últimos 91 anos.
“A base da energia no Brasil é hidráulica, e o GNL é um complemento perfeito, porque procura só quando necessita. Agora que o Brasil atravessou a pior crise em 91 anos, com a infraestrutura existente não seria possível”, explicou. A empresa, cuja sede fica no Texas, Estados Unidos, tem também registro como comercializadora de gás no Brasil, e a ideia é procurar gás natural brasileiro para oferecer aos clientes, além do GNL importado.
Ela avalia que o Brasil tem uma grande possibilidade decrescimento no setor de gás, mas a malha de gasodutos não é suficiente para acompanhar o aumento da geração elétrica, que hoje consome combustíveis poluentes, em um momento em que o mundo se dirige para energias mais limpas.
“O gás natural emite 30% a menos de CO² que os combustíveis líquidos (fósseis), que inclusive são historicamente mais caros. Não agora em janeiro, mas em termos de contaminação e de preço, o gás é mais baixo. Historicamente o GNL era 50% a menos que os combustíveis líquidos”, observou.
Gabriela lamenta que a abertura do mercado de gás natural no País tenha ocorrido ao mesmo tempo em que o preço do produto disparou no mercado internacional. Antes da pandemia, o GNL era negociado em torno dos US$7 o milhão de BTU, valor que saltou para US$ 30 em janeiro, por conta do inverno no hemisfério norte, e da pressão exercida por países asiáticos, que tentam limpar suas matrizes energéticas.
Ela observa, porém, que passado o mês mais forte de inverno, os preços devem voltar para algo entre US$ 22/US$ 24 o milhão de BTU. Já o patamar de US$ 7 deve demorar bem mais, mas na avaliação da executiva, mas pode retornar em alguns anos.
Abertura
Há 30 anos no setor de energia, Gabriela avalia que a abertura do mercado brasileiro está “em um bom caminho”, e que assim como aconteceu na Argentina nos anos 1990, aos poucos será multiplicado. Ela reconhece que é muito difícil deixar de negociar com apenas uma empresa, como acontecia com a Petrobras, mas que o mesmo aconteceu na Argentina e todos tiveram que procurar o seu próprio gás e transporte, como acontece agora no mercado brasileiro.
“Dentro de seis meses, um ano, não será o mesmo mercado, vai se multiplicar, crescer em duas vezes três vezes daqui a dois, três anos, porque as possibilidades de suprimento de gás natural hoje está limitada pela infraestrutura de transporte e capacidade deregaseificação”, avaliou.
Segundo Gabriela, os novos atores do mercado de gás tem que começar a compreender os contratos, as responsabilidades e os riscos do negócio. “Esse é o processo que o Brasil tem que atravessar, não é fácil, é um processo difícil, e todos que participam do mercado de energia tem uma grande responsabilidade de compartilhar informação, educar e oferecer segurança de fornecimento”, completou.
Fonte: Broadcast / Ag.Estado
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