A companhia japonesa de engenharia industrial Chiyoda Corporation vai retomar as obras de uma usina de gás natural liquefeito (GNL) no Catar, que haviam sido paralisadas devido às tensões no Oriente Médio. O retorno de todo o contingente de funcionários, que havia sido evacuado da região, está previsto ainda para este mês. A Chiyoda atuará em consórcio com a francesa Technip Energies na construção das instalações de produção de GNL do projeto North Field East, localizado no complexo industrial de Ras Laffan. Os trabalhadores e seus familiares haviam sido retirados da região até 16 de março, diante do acirramento das tensões geopolíticas após a eclosão da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. No dia 18 de março, o Irã chegou a lançar um ataque com mísseis contra Ras Laffan, mas a ofensiva não deixou feridos nem danificou os equipamentos do projeto.
Embora parte das equipes da Chiyoda e da Technip Energies tenha permanecido no local para supervisionar o projeto, agora todo o contingente baseado na região deve retornar. Os trabalhos serão retomados sob regras mais rígidas de segurança, o que inclui a ampliação da frota de ônibus para evacuações de emergência. O North Field East está entre os maiores projetos em andamento na carteira da Chiyoda. Com capacidade prevista de 32 milhões de toneladas de GNL por ano, o empreendimento tem como potenciais compradores Itália, Alemanha e China — volume que equivale a quase metade das importações anuais de GNL do Japão. O cronograma original previa o início dos embarques em 2026 e a conclusão das obras em 2027.
Pressionada pelo mercado, a Chiyoda tenta evitar que atrasos no cronograma corroam a rentabilidade do projeto. A empresa, que emitiu ações preferenciais para a trading Mitsubishi Corp. em troca de socorro financeiro, precisa recomprar esses papéis até junho de 2028. “Estamos avançando com a segurança como prioridade máxima”, afirmou o presidente da Chiyoda, Koji Ota, em teleconferência de resultados realizada neste mês.
Fonte: Valor Online
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